Dívida interna brasileira cai em outubro, com investidores pedindo taxas mais altas

terça-feira, 25 de novembro de 2014 17:37 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O estoque da dívida interna brasileira caiu em outubro frente a setembro em um mês marcado pelas incertezas em decorrência da eleição presidencial, com investidores pedindo taxas maiores ao Tesouro Nacional na compra dos títulos, num posicionamento que se mantém em novembro em meio às indefinições que cercam a nova equipe econômica.

"As taxas exigidas pelos investidores foram maiores em outubro em relação a setembro", disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido a jornalistas nesta terça-feira, acrescentando que este movimento continua em novembro.

De acordo com dados do Tesouro, no leilão de títulos realizado em 23 de outubro, a Letra do Tesouro Nacional (LTN)--que são títulos prefixados-- com vencimento em julho de 2018 saiu com taxa máxima de 12,4099 por cento, acima da taxa máxima de 11,9300 por cento do leilão para o mesmo papel realizado em 18 de setembro. No último leilão deste papel, realizado em 19 de novembro, a taxa máxima foi de 12,8600 por cento.

Garrido evitou, no entanto, relacionar as operações da dívida em outubro com a volatilidade da eleição que deu vitória à presidente Dilma Rousseff.

Em outubro, o estoque da dívida pública mobiliária federal interna caiu 1,36 por cento frente a setembro, atingindo 2,051 trilhões de reais, influenciado por um forte resgate líquido de títulos, segundo informações do Tesouro Nacional.

O estoque total da dívida pública federal, incluindo também a dívida externa, recuou 1,29 por cento em outubro, para 2,155 trilhões de reais.

No período, os resgates de títulos somaram 84,428 bilhões de reais, enquanto as emissões ficaram em 35,739 bilhões de reais, em operações que resultaram em resgate líquido de papéis da dívida brasileira de 48,689 bilhões de reais. Segundo Garrido, o elevado resgate ocorreu pelo alto vencimento de títulos no mês passado, a maioria de papéis prefixados.

Em outubro, os títulos corrigidos pela Selic corresponderam a 19,04 por cento do total do passivo ante 18,36 por cento em setembro. Para o término deste ano, a meta é que fiquem entre 14 e 19 por cento.   Continuação...