Confiança da indústria sobe 3,6% em novembro, mas recuperação é incerta, diz FGV

quarta-feira, 26 de novembro de 2014 09:54 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Índice de Confiança da Indústria (ICI) brasileira subiu 3,6 por cento em novembro sobre outubro, segundo resultado positivo do ano devido à melhora da percepção dos negócios, mas ainda insuficiente para mostrar que está havendo recuperação mais consistente.

O indicador subiu a 85,6 pontos neste mês, maior patamar desde junho passado, ante 82,6 pontos em outubro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.

"Os resultados de novembro confirmam alguma melhora do ambiente de negócios no quarto trimestre de 2014, depois de três trimestres de deterioração. A acomodação do índice de expectativas, no entanto, lança dúvidas quanto à continuidade desta recuperação", afirmou o superintendente-adjunto para Ciclos Econômicos da FGV/IBRE, Aloisio Campelo Jr.

O responsável pelo resultado de novembro do ICI foi o Índice da Situação Atual (ISA), que avançou 8,3 por cento em novembro, a 85,9 pontos, interrompendo seis quedas seguidas. O destaque ficou para a parcela da empresas que veem a situação atual como boa, que aumentou a 12,8 por cento, sobre 7,8 por cento, enquanto a fatia que a avalia como fraca caiu a 29,2 por cento, ante de 33,4 por cento.

Por outro lado, o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,6 por cento no período, para 85,4 pontos, depois de avançar 4,9 por cento em outubro.

Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada subiu a 82,7 por cento em novembro, frente a 82 por cento no mês anterior.

A indústria tem mostrando dificuldade para mostrar recuperação mais consistente neste ano. A produção industrial brasileira recuou 0,2 por cento em setembro, último dado disponibilizado pelo IBGE, interrompendo dois meses seguidos de expansão em meio ao cenário de atividade econômica fraca.

Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras mostra que a expectativa é de que a indústria vai encolher 2,30 por cento neste ano, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar apenas 0,20 por cento.

(Por Patrícia Duarte)

 
Operário trabalho em uma linha de montagem da marca Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo. 13/08/2013. REUTERS/Nacho Doce