Governo central tem superávit, mas registra pior outubro em 12 anos

quarta-feira, 26 de novembro de 2014 18:33 BRST
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) registrou superávit primário de 4,101 bilhões de reais no mês passado, interrompendo sequência de 5 meses de saldo negativo, beneficiado por maiores receitas com a exploração de petróleo e menor rombo na Previdência Social, mas ainda assim o pior resultado para meses de outubro em 12 anos.

Para tentar fechar as contas no ano, o governo não descarta o uso de dividendos de estatais e do Fundo Soberano do Brasil, que poderia incluir a venda de ações do Banco do Brasil.

No acumulado de 10 meses do ano, a economia feita para pagamento de juros da dívida continua negativa, em 11,577 bilhões de reais, evidenciando a dificuldade monumental do governo em encerrar 2014 com as contas no azul.

A meta ajustada de superávit primário de 2014 é de 99 bilhões de reais para o setor público consolidado, equivalente a 1,9 por cento do PIB. Desse total, 80,8 bilhões de reais é a meta específica para o governo central.

Com a economia fraca e desonerações que atingiram 84,462 bilhões de reais entre janeiro e outubro, o governo encaminhou ao Congresso pedido para ampliar os abatimentos na meta de superávit, eliminando na prática o objetivo.

O governo indicou, no Relatório de Receitas e Despesas divulgado na sexta-feira, que pretende abater 106 bilhões de reais e ainda fazer superávit primário de 10,1 bilhões de reais.

"Essa é a meta que consideramos melhor para o momento, evidentemente que há receitas e despesas a serem verificadas", disse o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

O projeto que altera a meta foi aprovado na Comissão Mista de Orçamento (CMO) em conturbada sessão na noite de segunda-feira e constava da pauta para votação no plenário do Congresso desta quarta, mas não foi submetido a votação por falta de quórum, colocando mais pressão sobre o governo.   Continuação...

 
Secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, em entrevista com a Reuters. 12/9/2014  REUTERS/Ueslei Marcelino