PERFIL-Tombini deve dar mais rigor ao combate à inflação, mas terá de conquistar confiança

quinta-feira, 27 de novembro de 2014 15:40 BRST
 

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Alguns podem dizer que a manutenção de Alexandre Tombini à frente do Banco Central pode indicar que o combate à inflação continuará sem muita convicção, mas não deve ser assim.

De poucas palavras, o gaúcho de Porto Alegre preside o BC desde o início de 2011 e, mais recentemente, fez questão de sinalizar que não estava contente com o rumo da atual política fiscal.

Em linha com seus colegas que vão compôr a trinca de comando da equipe econômica neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff: Joaquim Levy, indicado para ser ministro da Fazenda, e Nelson Barbosa, novo ministro do Planejamento.

"Ele (Tombini) não tem esse perfil tão desenvolvimentista que está aí", afirmou uma fonte que trabalhou muitos anos lado a lado com ele, que preferiu não ser identificada.

Em documentos e discursos oficiais, o BC já afirmou que o cenário fiscal tendia para a neutralidade em termos inflacionários sob o ponto de vista estrutural, um conceito mais complicado e que leva em consideração ciclos econômicos. Olhando-se pelo outro lado, aí de maneira mais simples, a situação fiscal pressionava os preços na visão do BC.

Um dos movimentos mais emblemáticos também neste sentido foi dado há mais de um ano, quando o BC passou a divulgar projeções sobre a dívida tomando como base cenários distintos para o superávit primário: um com a meta do governo e, outro, com a expectativa do mercado, sempre abaixo do objetivo estabelecido.

Mas esses sinais não serão suficientes para que Tombini já tenha reconquistado a confiança completa dos agentes econômicos. A maior crítica que recebe é não ter conseguido domar a inflação que, nos últimos anos, tem ficado bem próxima ou acima do teto da meta oficial --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

"O Brasil está entrando num círculo vicioso, com mais inflação", afirmou uma outra fonte que também foi colega de Tombini durante o governo do PT. "Não é fácil enfrentar a presidente (Dilma Rousseff) e o governo todo", acrescentou.   Continuação...

 
Alexandre  Tombini  em Washington. 11/10/2014 REUTERS/Mike Theiler