PERFIL-Com um olho no social e outro no fiscal, Nelson Barbosa dá mais peso ao Planejamento

quinta-feira, 27 de novembro de 2014 18:12 BRST
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O economista Nelson Barbosa assume o Ministério do Planejamento com a difícil missão de levar os agentes econômicos e a população a acreditarem que mudanças na condução da política econômica serão feitas no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Barbosa tem ainda a possibilidade de levar a pasta a um nível mais alto em termos políticos e decisórios, ao formar o núcleo duro da nova equipe econômica com Joaquim Levy e Alexandre Tombini, novo ministro da Fazenda e presidente do Banco Central, respectivamente.

Barbosa tem como bônus as afirmações feitas desde o ano passado, quando deixou a secretaria-executiva do Ministério da Fazenda por não concordar com o rumo que estava sendo dado à política econômica, com críticas destacadas ao lado fiscal.

O ex-secretário-executivo, com perfil informal e constante interesse em aprender, traz a marca de quem busca aliar maior responsabilidade fiscal e política social. Com forte currículo acadêmico, o novo ministro do Planejamento é elogiado por quem já trabalhou com ele e considerado um "líder nato", contaram à Reuters pessoas que convivem ou conviveram com ele.

Nascido em 1969, o carioca e vascaíno também foi secretário de política econômica e de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, tendo como chefe Guido Mantega, que deixa o posto depois como o mais longevo ministro da Fazenda da história da República.

Pouco antes de sua saída da secretaria, Barbosa passou a bater de frente com o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Criticou fortemente nos bastidores a condução da política fiscal --recheada de manobras-- e a falta de transparência na comunicação, posição que arranhou inclusive seu relacionamento com a presidente Dilma Rousseff. Tudo agora devidamente aparado para a sua volta ao Executivo.

Após sua saída do governo, em junho de 2013, Barbosa fez diversas críticas abertas à política econômica. Essas posições podem ajudar a diminuir uma eventual rejeição que sua relação com o governo petista poderia trazer por parte de agentes econômicos. Apesar de nunca ter sido filiado ao partido, Barbosa tem afinidade com a bandeira social do PT e frequenta o Institulo Lula, do ex-presidente Luiz Inácio da Silva.

Em setembro, Barbosa chegou a afirmar que um ajuste na economia brasileira teria que contemplar aumento gradual da meta de superávit primário e maior flutuação do câmbio.   Continuação...

 
O indicado para o Ministério do Planejamento, Nelson Barbosa, concede entrevista coletiva em Brasília nesta quinta-feira. 27/11/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino