Grandes empresas terão que buscar alternativas ao BNDES, diz novo ministro

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 22:13 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O futuro ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), indicou nesta segunda-feira que deve haver uma mudança no papel do BNDES no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, para garantir um maior acesso das pequenas e médias empresas aos recursos do banco estatal.

Monteiro é o terceiro novo ministro a ser anunciado pela presidente Dilma após sua reeleição e sua nomeação só foi costurada com o PTB nesta segunda-feira, apesar de sua escolha ser conhecida desde a semana passada.

"Na perspectiva do novo modelo de financiamento que nós queremos ver implantado, precisa ampliar o acesso das médias e pequenas empresas a esses instrumentos de financiamento (público), o que significará que você poderá atender à demanda das grandes empresas crescentemente através de outros mecanismos de financiamento", disse o senador a jornalistas no Palácio do Planalto.

Joaquim Levy, que assumirá o ministério da Fazenda, já havia indicado que o papel dos bancos públicos deve mudar, com redução dos repasses do Tesouro Nacional. Levy e Nelson Barbosa, que assumirá o Ministério do Planejamento, foram os primeiros novos ministros anunciados pelo Palácio do Planalto, na quinta-feira, juntamente com Alexandre Tombini, que ficará no comando do Banco Central.

Monteiro disse que o ideal é que o país "estimule a criação de um mercado de financiamento a prazo longo com os agentes privados, porque evidentemente o BNDES não pode suportar sozinho toda a demanda de financiamento do país".

O Tesouro Nacional transferiu para os bancos públicos, principalmente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cerca de 450 bilhões de reais nos últimos anos.

Monteiro disse que o BNDES cumpriu um papel importante durante a política anticíclica adotada pelo governo federal para animar o investimento no país, "mas evidentemente que as políticas têm de ser sempre reavaliadas à luz das novas condições da economia brasileira", argumentou.

"O BNDES em qualquer circunstância terá sempre um orçamento importante, porque o próprio retorno das operações ativas já garante ao banco um orçamento expressivo", afirmou.

Monteiro, que substituirá Mauro Borges no Ministério de Desenvolvimento, disse que ainda está sendo analisada a possibilidade de mudança na presidência do BNDES, atualmente comandada por Luciano Coutinho.   Continuação...

 
Senador Armando Monteiro Neto (PTB-PE), nomeado pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, concede entrevista coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília. 01/12/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino