Chefes de empresas frequentemente sabem de casos de suborno internacional, diz OCDE

terça-feira, 2 de dezembro de 2014 09:51 BRST
 

Por Belinda Goldsmith

PARIS (Thomson Reuters Foundation) - Os chefes de empresas frequentemente têm conhecimento que subornos são pagos a autoridades públicas em outros países para ganhar contratos e fugir da burocracia, de acordo com o primeiro relatório Suborno Internacional da OCDE, divulgado nesta terça-feira.

O estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) descobriu que a gerência corporativa tinha conhecimento em mais da metade das 427 ações de execução realizadas desde que sua Convenção Antissuborno passou a valer há 15 anos. 

As análises dessas ações descobriram que em 41 por cento dos casos, funcionários do nível de gerência sabiam que subornos estavam sendo pagos, e presidentes-executivos estavam envolvidos em 12 por cento dos casos. 

Patrick Moulette, chefe da divisão anticorrupção da OCDE, disse esperar que o relatório jogue uma luz sobre onde podem ser realizados mais esforços a fim de encerrar a corrupção, num momento em que ativistas vêm lutando para lidar com este complexo e obscuro tipo de crime. 

“Na maioria das vezes os subornos são feitos com o conhecimento de um gerente sênior, o que é surpreendente, porque na maioria dos casos de suborno internacional, sanções são impostas a funcionários de segundo escalão”, disse Moulette à Thomson Reuters Foundation.

“Precisamos nos afastar da ideia de que se você quer fazer negócio em outros países, então você tem que pagar subornos.”

O relatório também questionou a noção de que os subornos foram principalmente pagos a autoridades públicas de países pobres, descobrindo que quase metade dos casos, ou 43 por cento, envolviam corrupção de autoridades em países em desenvolvimento ou até mesmo altamente desenvolvidos.

Mas Moulette disse que é necessário mais trabalho para averiguar esta tendência, à medida que as taxas de detecção em países desenvolvidos podem ser maiores, por conta de uma legislação mais forte contra corrupção.   Continuação...

 
Foto ilustrativa de notas de dólares e euros em casa de câmbio de Paris. 28/10/2014 REUTERS/Philippe Wojazer