Ex-diretor da Petrobras diz que há corrupção em outros setores

terça-feira, 2 de dezembro de 2014 20:47 BRST
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - As irregularidades que estão sendo investigadas pela Polícia Federal na Petrobras acontecem no país inteiro, afirmou nesta terça-feira o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, um dos delatores de um suposto esquema de corrupção na petroleira, em depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Costa fez diversas declarações aos parlamentares, apesar de ter dito inicialmente que não responderia a perguntas, para não comprometer seu acordo de delação premiada com a Justiça.

"Isso que está no noticiário, que acontecia na Petrobras, acontecia no Brasil inteiro, nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas, isso acontece no Brasil inteiro, é só pesquisar", declarou Costa à CPMI que investiga denúncias envolvendo a Petrobras.

Costa foi preso neste ano dentro da operação Lava Jato da Polícia Federal e passou seis meses preso na carceragem de Curitiba até aceitar acordo de delação premiada, na qual denunciou um suposto esquema de sobrepreço e corrupção na Petrobras que alimentaria os cofres de partidos políticos, entre eles o PT, PP e o PMDB.

Costa foi questionado sobre quantos políticos foram citados em suas denúncias de corrupção na estatal, no âmbito da delação premiada.

"Algumas dezenas", afirmou Costa, sem dar detalhes, após acareação com o ex-diretor da área internacional da estatal Nestor Cerveró na CPMI.

Costa também mencionou à Justiça a existência de um cartel de grandes empreiteiras em obras da Petrobra. Seus depoimentos colaboraram para levar à prisão, recentemente, vários executivos de empreiteiras envolvidas em obras da Petrobras, em uma nova fase da operação Lava Jato, mas a maioria já foi solta.

Apesar de não ter dado detalhes de seu depoimento à Justiça, ele confirmou o conteúdo de suas denúncias.   Continuação...

 
Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa durante depoimento em CPI em Brasília. 02/12/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino