Após tumulto, sessão do Congresso que analisaria projeto de superávit é adiada

terça-feira, 2 de dezembro de 2014 22:30 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - A sessão do Congresso Nacional que analisaria na noite desta terça-feira dois vetos presidenciais e o projeto que altera o cálculo da meta de superávit foi adiada para quarta-feira, depois que um tumulto na galeria da Câmara do Deputados fez o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), suspender os trabalhos.

A sessão ficou suspensa por mais de 1 hora, sem que os manifestantes contrários ao projeto que amplia o abatimento da meta de superávit primário fossem retirados da galeria, como Renan havia determinado. Uma nova votação foi convocada para as 10h de quarta-feira.

"Esse caso é único na história do Congresso Nacional, 26 pessoas presumivelmente assalariadas obstruíram os trabalhos do Congresso Nacional", afirmou Renan a jornalistas ao sair do plenário, dizendo ainda que a convocação dos manifestantes foi feita pelo deputado Izalci Lucas (PSDB-DF).

"Isso demonstra a absoluta responsabilidade que a oposição tem com o fato... que democracia é essa que eles pedem e cobram todo dia?", questionou Renan.

Izalci não foi imediatamente localizado para comentar o assunto, mas o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), negou que a mobilização tivesse sido feita por Izalci. Ele disse, porém, que os parlamentares do PSDB convocaram os cidadãos pelas redes sociais para protestar na sessão.

A manifestação, segundo ele, é fruto de uma "mobilização da sociedade contra a presidente, que descumpriu a lei orçamentária e quer uma anistia".

Renan decidiu pelo esvaziamento das galerias depois que a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que a senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM), que estava discursando, havia sido xingada de "vagabunda" pelos manifestantes.

Para evitar o esvaziamento das galerias, deputados da oposição cercaram os manifestantes e trocaram agressões com os seguranças para que eles não usassem a força para esvaziar as galerias.

"A retirada das pessoas só não ocorreu porque viemos aqui e eles teriam que nos retirar também", afirmou à Reuters o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG).   Continuação...

 
O presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, em Brasília. 01/02/2013 REUTERS/Ueslei Marcelino