BC intensifica aperto monetário, mas deixa dúvidas sobre próximos passos

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014 22:19 BRST
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central intensificou o aperto monetário nesta quarta-feira e elevou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 11,75 por cento ao ano, mas deixou em aberto seus próximos passos, em meio a um cenário de inflação pressionada e expectativa de maior rigor na condução da política fiscal.

"O Copom decidiu, por unanimidade, intensificar, neste momento, o ajuste da taxa Selic", disse o Comitê de Política Monetária em comunicado ao fim de sua última reunião do ano e que levou a taxa básica de juros para o maior nível em mais de três anos.

O movimento reforçou as sinalizações feitas pela nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff --encabeçada Joaquim Levy, na Fazenda, Nelson Barbosa, no Planejamento, e Alexandre Tombini, que se mantém no BC-- de maior ortodoxia na condução da política econômica, com maior rigor fiscal e no combate à inflação.

Mas a autoridade monetária não se comprometeu com a manutenção do novo ritmo de aperto.

"Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia", disse em comunicado.

No entendimento de economistas do mercado, o comunicado deixou as portas abertas para o BC reduzir o ritmo de alta e até mesmo encerrar o novo ciclo de aperto monetário no início do próximo ano.

"As expressões 'neste momento' e com parcimônia' sugerem que o Copom não está se comprometendo a fazer um ajuste tão forte nas próximas reuniões. Ele deixou aberto o que vai fazer à frente e isso vai depender de uma série de variáveis, como a política fiscal, a definição sobre o programa de swaps (cambiais), a reunião do BCE e outros", avaliou o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall.

Para o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos, o comunicado foi "uma grande surpresa" e não compromete o Copom com nenhum rumo.   Continuação...

 
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fala à imprensa durante o encontro anual do FMI e do Banco Mundial em Washington, nos Estados Unidos, em outubro. 11/10/2014 REUTERS/Mike Theiler