Siderúrgicas pedem reajuste de preços de aço a setor de autopeças, diz Anfavea

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014 17:49 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os produtores de aço do Brasil estão informando fabricantes de autopeças do país sobre reajustes de preços de aço, afirmou nesta quinta-feira a Anfavea, associação que representa as montadoras de veículos.

"Nossos fornecedores já estão enfrentando pedidos de aumento de preços (de aço) por parte das siderúrgicas", disse o presidente da Anfavea, Luiz Moan, a jornalistas.

Ele, porém, evitou dar mais detalhes sobre a intensidade do reajuste que está sendo pedido pelas siderúrgicas aos fornecedores de autopeças.

Representantes da associação de fabricantes de autopeças, Sindipeças, não comentaram o assunto de imediato.

Em meados de agosto, o diretor comercial da Companhia Siderúrgica Nacional, Luis Fernando Martinez, afirmou a analistas do setor de siderúrgia que a empresa via um cenário estável de preços de aço no quarto trimestre deste ano, mas uma uma chance de "correção de preços" em 2015, diante da esperada desvalorização do real contra o dólar.

As ações da Usiminas, maior produtora de aços planos do país, insumo bastante consumido pela indústria de veículos, aceleraram após os comentários de Moan. O papel teve valorização de 1,4 por cento nesta quinta-feira, a 4,95 reais. Na máxima, chegou a subir 3,7 por cento. O principal índice da bolsa fechou em queda de 1,7 por cento.

Uma fonte do setor de autopeças afirmou que "existe mesmo um movimento de aumento de preços de aço", mas não pode informar mais detalhes, enquanto uma segunda fonte próxima das montadoras citou que o reajuste pretendido seria de dois dígitos.

"As siderúrgicas continuam a pedir por preços maiores de aço em 2015 junto ao setor de veículos", disseram os analistas Renato Antunes e Milton Sullyvan, da corretora Brasil Plural.

"Até agora, não há nada de concreto e é natural que qualquer vendedor queira preços mais altos. As negociações continuam e têm que ser concluídas até o final do ano (...) Enquanto o real desvalorizado apoia o poder de barganha das siderúrgicas, preços menores de aço no mundo minimizam a maior parte do efeito cambial", acrescentaram os analistas.

(Por Alberto Alerigi)