Petrobras dita queda do Ibovespa, que anula ganhos no ano

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014 18:17 BRST
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa fechou em queda nesta quinta-feira, voltando a zerar os ganhos acumulados em 2014, pressionado pela forte queda das ações da Petrobras. A reação negativa no exterior a declarações do presidente do Banco Central Europeu corroborou o tom negativo.

O Ibovespa caiu 1,71 por cento, a 51.426 pontos. No ano, passou a mostrar variação negativa de 0,16 por cento, enquanto na véspera ainda apresentava desempenho positivo, com alta de 1,58 por cento. O volume financeiro nesta sessão somou 5,44 bilhões de reais, novamente abaixo da média diária do ano.

Petrobras guiou a queda do Ibovespa desde a abertura, em mais uma sessão de baixa do petróleo e após a Moody's cortar o rating individual da empresa, medido pelo critério Baseline Credit Assessment (BCA), de Baa3 para Ba1, devido às investigações de corrupção.

No exterior, índices acionários recuaram após o presidente do BCE, Mario Draghi, relevar pressões por novas ações e dizer que a autoridade monetária da zona do euro vai reavaliar o impacto de seus estímulos monetários no início do próximo ano e tomar novas medidas se for necessário.

O europeu FTSEurofirst 300 caiu 1,37 por cento, maior queda diária em sete semanas. Em Nova York, o S&P 500 perdia 0,14 por cento, um dia após renovar cotação máxima.

"O mercado está sentindo a falta de agressividade do BCE que, a despeito da piora prospectiva da economia e a baixa inflação, tem dificuldade em implementar novos estímulos", disse o gestor Joaquim Kokudai, da Effectus Investimentos.

"No Brasil, há muito ruído fiscal, o governo continua se comunicando mal. O quadro só não está pior porque há ainda alguma esperança com a nova equipe econômica", pontuou.

A decisão do Banco Central, da véspera, de intensificar o aperto monetário ao elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, teve repercussão mista, sem um consenso sobre os sinais emitidos pela autoridade monetária em termos de comprometimento.   Continuação...