Leilão de energia A-1 não cobre necessidade total de distribuidoras no 1º semestre

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 13:59 BRST
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO (Reuters) - As distribuidoras de eletricidade do país contrataram montante de energia no leilão A-1 desta sexta-feira que praticamente cobre a necessidade para o segundo semestre de 2015, mas que ainda as deixa expostas na primeira metade do ano, segundo representantes do governo federal nesta sexta-feira.

No leilão, 33 distribuidoras de eletricidade compraram 622 megawatts (MW) médios de energia, frente a uma necessidade de entre 4 mil e 4,5 mil MW médios para 2015. Essa grande demanda das distribuidoras, no entanto, está mais concentrada no primeiro semestre de 2015, já que a partir do segundo semestre serão distribuídas às concessionárias cerca de 4,2 mil MW médios de energia das cotas das concessões de geração que vencem.

"O resultado do leilão não atendeu a demanda máxima (declarada pelas distribuidoras)", disse o superintendente de Estudos de Mercado da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Frederico Rodrigues, ao esclarecer que não houve oferta suficiente de energia por parte das geradoras.

O leilão vendeu energia ao preço médio de 197,09 reais por megawatt-hora (MWh), praticamente sem deságio frente aos preços máximos permitidos, sendo que apenas as estatais Furnas, da Eletrobras, e Petrobras venderam energia num certame que durou menos de 20 minutos.

Apesar da pouca oferta, o assessor do Ministério de Minas e Energia, Igor Alexandre Walter, disse que a descontratação das companhias no segundo semestre de 2015 está praticamente equacionada.

Já para o primeiro semestre, o governo ainda deverá buscar reduzir a descontratação com novo leilão -- ou leilões -- de ajuste. “É praticamente certo que teremos leilões de ajuste no primeiro semestre", disse o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata.

Rodrigues, da Aneel, disse que ainda não há definição sobre as regras de possível leilão de ajuste no início do ano que vem, mas que este poderá ter produtos com períodos diferenciados, de três e seis meses, por exemplo.

Em janeiro do ano que vem, cerca de 785 MW médios da energia da hidrelétrica São Simão, cujo contrato de concessão para a Cemig vencerá, ficarão disponíveis para as distribuidoras de energia. A partir de fevereiro, 1.217 MW médios dessa usina passam a contribuir para reduzir a descontratação das distribuidoras.   Continuação...