Dilma diz que queda no preço das commodities afetará América Latina

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 21:45 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira em Quito, no Equador, que a queda nos preços das commodities terá um impacto nas economias dos países produtores da América Latina.

Os preços das matérias-primas minerais e agrícolas vêm registrando queda recentemente devido, em parte, ao efeito da superoferta gerado pela safra recorde norte-americana de grãos e pela grande expansão da produção das três maiores mineradoras globais.

"Sempre que o preço das commodities cai, impacta, tanto as minerais como as alimentícias, impacta os países dominantemente produtores de commodities", disse Dilma a jornalistas, após reunião da Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

"A América Latina tem uma grande participação nisso. Nesse sentido, ela vai ser impactada pela queda do preço", acrescentou ela, referindo-se à região como grande produtora de matérias-primas.

Os preços do petróleo também têm atingido mínimas em vários anos pelo excesso de oferta. Os contratos futuros nos Estados Unidos fecharam nesta sexta-feira em seu nível mais baixo desde julho de 2009, enquanto a cotação média do Brent na semana ficou abaixo de 70 dólares por barril pela primeira vez desde 2010.

"Eu acho que o mundo inteiro vai ser afetado de uma forma ou de outra. Alguns vão ser afetados positivamente, outros vão ser afetados negativamente no que se refere à queda do preço, por exemplo, do petróleo. O petróleo vai ter repercussão sobre vários países."

Dilma não quis comentar a nova projeção do governo federal para um crescimento do Produto Interno Bruno (PIB) de 0,8 por cento em 2015, ante previsão anterior de 2 por cento, nem os dados de que a inflação oficial permaneceu acima do teto da meta em 12 meses.

"Eu preferia que hoje a gente não falasse sobre o Brasil... A área econômica respondeu isso de forma exaustiva. Por favor, eu não vou repetir", disse a presidente.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,56 por cento em 12 meses até novembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. A meta de inflação do governo é de 4,5 por cento, com tolerância de dois pontos percentuais.   Continuação...

 
O presidente do Equador, Rafael Correa, cumprimenta a presidente Dilma Rousseff na inauguração da nova sede da Unasul, em Quito, no Equador, nesta sexta-feira. 05/12/2014 REUTERS/Gary Granja