Boom imobiliário e de crédito elevam riscos em mercados emergentes, diz BIS

domingo, 28 de junho de 2015 12:32 BRT
 

Por Sujata Rao

LONDRES (Reuters) - Uma década de crescimento robusto fortaleceu de modo geral as economias dos mercados emergentes, mas a elevação do preço de ativos e o aumento no crédito levaram a uma maior vulnerabilidade a crises, disse um relatório do BIS (Banco Internacional de Compensações) neste domingo.

Na sua revisão trimestral, o banco afirmou que desde 2002 economias emergentes desfrutaram de um dos seus maiores períodos de alto crescimento, expandindo-se a uma média de 6 por cento ao ano.

No entanto, indicando sinais de redução do crescimento econômico justamente no momento em que os Estados Unidos estão inclinados a elevar as taxas de juros, o banco viu alguns paralelos com os anos anteriores à crise da dívida latino-americana em 1982 e crise asiática em 1997.

“No passado como agora, crescimento rápido coincidiu com boom financeiro, alimentado por ingresso de capitais e política monetária acomodatícia tanto domesticamente quando no exterior”, afirmou o relatório.

Desde 2002, o investimento estrangeiro nos mercados emergentes tem sido o maior em mais de um século. Esse fator teve sem dúvida os seus benefícios, reconhece o BIS.  

“O aumento do preço de commodities e booms financeiros domésticos aumentaram sem dúvida a produção, mas não seria sábio tratar esses efeitos como permanentes”, ponderou.

O grande fluxo de investimentos, o aumento do câmbio e juros relativamente baixos criaram alguns problemas: desde 2004 o aumento do crédito nos mercados emergentes tem sido de cerca de 12 por cento ao ano enquanto os preços imobiliários subiram 40 por cento, notou o banco.  

O estudo estimou que a dívida do governo e do setor privado não financeiro está 50 por cento mais alta do que durante a crise asiática em 1997, principalmente porque os empréstimos do setor privado dobraram nas economias emergentes.

Os níveis de crédito do setor privado estão bem acima dos 10 por cento sobre tendências de longo prazo, do Brasil à Tailândia, declarou o banco, acrescentando: “No passado, dois terços de todas as leituras acima dessa marca foram seguidas por sérias pressões bancárias nos três anos seguintes”.