Grécia anuncia feriado bancário e controles de capital em meio à acentuada crise

domingo, 28 de junho de 2015 17:23 BRT
 

Por Lefteris Papadimas e John O'Donnell

ATENAS/FRANKFURT (Reuters) - A Grécia vai introduzir controles de capital e manter os bancos fechados na segunda-feira após os credores internacionais terem se recusado a estender o resgate do país e muitos gregos terem feito fila para sacar dinheiro, levando o impasse em Atenas a um novo e perigoso nível.

A bolsa de valores de Atenas também será fechada enquanto o governo tenta gerenciar as consequências financeiras da discordância com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os bancos da Grécia, mantidos à tona por um financiamento de emergência do Banco Central Europeu (BCE), estão na linha de frente conforme Atenas se move em direção a um calote de 1,6 bilhão de euros devidos ao FMI, pagamento que vence na terça-feira.

A Grécia culpou o BCE, que já tinha dificultado a abertura dos bancos ao congelar o nível de financiamento de apoio ao invés de aumentá-lo para cobrir um aumento nos saques por parte de correntistas preocupados.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse que a decisão de rejeitar o pedido da Grécia para uma curta extensão do programa de resgate foi "um ato sem precedentes" que pôs em foco a capacidade de um país de decidir uma questão que afeta os seus direitos soberanos.

"Esta decisão levou o BCE hoje a limitar a liquidez disponível para os bancos gregos e forçou o banco central grego a propor um feriado bancário e restrições em saques bancários", afirmou ele em discurso televisionado.

Em meio ao drama na Grécia, onde uma clara maioria quer permanecer na zona do Euro, os próximos dias apresentam um grande desafio para a integridade do bloco de moeda única. As consequências para os mercados e para o sistema financeiro mais amplo não são claras.

O governo de esquerda da Grécia vinha há meses negociando um acordo para liberar financiamento a tempo de pagar o FMI. Mas nas primeiras horas do sábado Tspiras pediu um prazo extra para permitir que os gregos votassem em um referendo sobre os termos do acordo.   Continuação...