Petrobras reduz investimentos e amplia venda de ativos em novo plano de negócios

segunda-feira, 29 de junho de 2015 12:01 BRT
 

Por Gustavo Bonato e Marta Nogueira

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras anunciou nesta segunda-feira que planeja investir 130,3 bilhões de dólares de 2015 a 2019, uma queda de cerca de 40 por cento em relação ao plano de negócios anterior, prevendo também a venda de dezenas de bilhões de dólares em ativos e uma considerável desaceleração do aumento de sua produção de petróleo no Brasil.

A estatal prevê elevar a produção de petróleo no Brasil até 2020 para 2,8 milhões de barris por dia (bpd), bem abaixo dos 4,2 milhões de bpd estimados no plano anterior. A produção em 2015 deve ficar em cerca de 2,1 milhões de bpd.

A estatal reduziu a projeção de investimentos e, por consequência, de produção após ter sido atingida no ano passado pelo escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, com impactos financeiros e na cadeia de prestadores de serviços, e após os preços do petróleo caírem pela metade no mercado internacional nos últimos 12 meses.

"Foi uma queda bem significativa (nos investimentos). Dará um alívio para o caixa e a empresa vai precisar tomar menos valores emprestados. O plano anterior demandava mais endividamentos", disse o analista-chefe da Gradual Investimentos, Daniel Marques.

Na comparação com o montante total previsto no plano anterior, de 220,6 bilhões de dólares, a redução dos investimentos foi de 41 por cento. Se considerada apenas a carteira de negócios em implantação e em processo de licitação do plano 2014-2018, de 206,8 bilhões de dólares, o corte foi de 37 por cento.

"O plano veio bem em linha com a expectativa do mercado, vem no sentido de desalavancar a companhia", afirmou o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.

As ações preferenciais e ordinárias da companhia tinham alta de cerca de 1 por cento no fim da manhã, enquanto o índice Bovespa registrava queda de 0,94 por cento.

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Logotipo da Petrobras em prédio da empresa em Sao Paulo. 23/04/2015. REUTERS/Paulo Whitaker