Preços dos combustíveis e desinvestimentos são pontos de incerteza em novo plano da Petrobras

segunda-feira, 29 de junho de 2015 14:10 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O novo Plano de Negócios e Gestão da Petrobras trouxe premissas realistas e um corte de investimentos em linha com o esperado, mas ainda gera incertezas em relação à política de preços dos combustíveis e também sobre como a companhia irá conseguir vender dezenas de bilhões de dólares em ativos, na avaliação de analistas.

"Algumas coisas são mais fáceis de falar do que fazer, notadamente a paridade de preços e o grande plano de desinvestimento, que pode ser difícil de alcançar se a companhia não aceitar vender o controle de alguns ativos", afirmou o analista do BTG Pactual Antonio Junqueira, em e-mail a clientes.

Dentre as premissas consideradas no planejamento financeiro da Petrobras para o período entre 2015-2019, a empresa destacou como primeiro ponto "preços dos derivados no Brasil com paridade de importação".

"Isso sempre é prometido e, desnecessário ressaltar, não é necessariamente alcançado", frisou Junqueira.

A defasagem de preços é tida como uma das principais causas do alto endividamento da petroleira estatal.

A gasolina estava 8,7 por cento mais barata no Brasil do que no exterior, em 22 de junho, segundo a atualização mais recente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Na mesma data, o preço do óleo diesel nas refinarias nacionais estava 13,3 por cento acima do preço no Golfo do México.

O estrategista da Guide Investimentos Luis Gustavo Pereira destacou que a empresa tem dado sinais de que os reajustes devem ficar mais em linha com o que é praticado no exterior.

Entretanto, ponderou que a empresa precisa resgatar a confiança do mercado em relação a esse tema.

"Acho que é muito importante monitorar a questão da defasagem. Por enquanto não há sinalização clara por reajustes. É uma das premissas, mas ela precisa ser seguida", afirmou.   Continuação...