Brasil tem déficit primário de R$6,9 bi em maio, pior resultado do ano

terça-feira, 30 de junho de 2015 11:25 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público brasileiro teve déficit primário de 6,9 bilhões de reais em maio, o pior resultado do ano e puxado pelo fraco desempenho do governo central, ressaltando os desafios na busca pelo reequilíbrio fiscal num momento de debilidade na economia e na arrecadação.

Em 12 meses, o rombo ficou em 0,68 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), um pouco melhor que o déficit recorde de 0,76 por cento nos 12 meses encerrados em abril, informou o Banco Central nesta terça-feira.

Os resultados indicam que a meta fixada para este ano ainda está bem longe, de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1 por cento do PIB.

No mês, a economia para pagamento de juros da dívida veio praticamente em linha que o saldo negativo de 7 bilhões de reais esperado por analistas, segundo pesquisa da Reuters, e melhor ao déficit de 11,046 bilhões de reais de maio de 2014.

A linha voltou ao vermelho no mês passado após o registro de superávits em abril e março, e foi arrastada sobretudo pelo saldo negativo de 8,869 bilhões de reais nas contas do governo central (governo federal, BC e Previdência), abaladas pela baixa arrecadação e elevados gastos com a previdência.

A economia fraca e inflação elevada desenham um cenário sombrio para o país, atingindo em cheio a confiança dos consumidores e dos agentes econômicos. Diante disso, a arrecadação tem sofrido, registrando em maio o pior resultado para o mês em cinco anos.

O BC informou também que os governos regionais (Estados e municípios) registraram superávit primário de 2,041 bilhões de reais em maio, enquanto as empresas estatais tiveram déficit de 72 milhões de reais no período.

No acumulado do ano até maio, o superávit primário total chegou a 25,547 bilhões de reais, menor que os 31,481 bilhões de reais de igual etapa de 2014.

Diante do mau desempenho, muitos analistas já esperam redução na meta de primário deste ano, mesmo após o contigenciamento no orçamento de 70 bilhões de reais, elevação de impostos e adoção de medidas para moderar benefícios trabalhistas e previdênciários.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.   15/01/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino