BM&FBovespa aposta em pressão externa para reformar Novo Mercado

terça-feira, 30 de junho de 2015 13:58 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A BM&FBovespa vai buscar apoio de investidores estrangeiros para destravar seus projetos de reforço da governança de empresas brasileiras, um para estatais e outro de reforma das regras de listagem do Novo Mercado.

"Esses investidores ganharam maior relevância nos últimos anos e vão ser importantes pra 'convencer' as companhias de que esses avanços são necessários", disse nesta terça-feira à Reuters o presidente-executivo da bolsa, Edemir Pinto, após anunciar a jornalistas um calendário para os projetos.

A participação dos estrangeiros no mercado à vista da Bovespa subiu de 28 por cento no começo de 2010 para 52,5 por cento neste ano.

O caminho encontrado pela BM&FBovespa para canalizar a pressão do mercado em favor das mudanças propostas foi submetê-las a audiência pública.

É um caminho diferente do trilhado há cinco anos, quando fracassou a tentativa de reforma das regras do Novo Mercado, o nível mais alto de governança da bolsa, quando as propostas foram discutidas diretamente com as listadas no segmento.

Na época, as três principais propostas da BM&FBovespa --realização de oferta pública de ações em casos de compra de 30 por cento do capital, obrigatoriedade de um comitê de auditoria e aumento do percentual de membros independentes do Conselho de Administração-- foram rejeitadas pelas companhias.

Criado no ano 2000, o segmento tem atualmente 133 companhias listadas. Para especialistas do mercado e para a própria BM&FBovespa, problemas de mercado que surgiram desde então não são tratados nas regras do Novo Mercado, que precisa de uma atualização.

"Governança é um assunto dinâmico, precisa ser revisado sempre", disse Edemir em apresentação a jornalistas.

O plano da bolsa é divulgar até o final do ano suas principais propostas de reforma e submetê-las a audiência pública no começo de 2016.   Continuação...