ENTREVISTA-Kroton vê risco regulatório menor e ainda não sente economia adversa, diz CEO

terça-feira, 30 de junho de 2015 16:56 BRT
 

Por Cesar Bianconi e Asher Levine

SÃO PAULO (Reuters) - A Kroton Educacional espera atravessar o cenário macroeconômico adverso no Brasil relativamente ilesa, devido à demanda por ensino e diante de uma percepção de que o risco regulatório do setor no Brasil é bem menor do que meses atrás.

Em entrevista à Reuters, o presidente da maior empresa de educação privada do mundo, Rodrigo Galindo, afirmou que as regras anunciadas para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para o segundo semestre "dão muito mais sustentabilidade para o programa".

"O risco regulatório hoje é bem menor do que era quatro meses atrás, até porque o processo de comunicação (com o Ministério da Educação) está bem mais saudável", disse Galindo.

"Gostamos muito da postura do ministério de já indicar a quantidade de vagas (do Fies) para 2016, entre 310 mil e 350 mil. Mostra que, mesmo num cenário de ajuste fiscal, o programa é estratégico para o país e será mantido num porte bastante razoável."

Mudanças nas regras do Fies ampliando o controle e restringindo o acesso pegaram de surpresa as instituições privadas de ensino superior em dezembro, derrubando as ações de empresas do setor na Bovespa. Em 2014, quase 40 por cento dos alunos matriculados em cursos de graduação não gratuitos no Brasil foram financiados pelo Fies, indicando a relevância do programa para o setor.

"Passada a tormenta, se olharmos o que aconteceu, saímos de um cenário de 700 mil vagas no ano passado para 310 mil vagas neste ano, simples assim. O programa foi reduzido pela metade. É importante? Claro que é importante, mas não ao ponto de causar essa movimentação no preço da ação tão robusta", disse.

As ações da Kroton caíram quase 25 por cento no ano até o fechamento de 29 de junho, enquanto o Ibovespa teve alta de 6 por cento no período.

Mais do que a desvalorização, a volatilidade das ações foi alta: em cerca de 20 pregões até aqui em 2015, a variação diária de preço da empresa na bolsa superou 5 por cento para cima ou para baixo.   Continuação...