Dólar fecha junho e o 2º tri em queda sobre o real

terça-feira, 30 de junho de 2015 21:36 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda frente ao real nesta terça-feira e encerrou junho em baixa, devido a expectativas de entradas de recursos diante de perspectivas de juros altos no Brasil, movimento que deve continuar no curtíssimo prazo e sustentar a divisa perto do atual patamar, um pouco acima de 3 reais.

A moeda norte-americana caiu 0,34 por cento nesta sessão, a 3,1089 reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,3 bilhão de dólares.

Em junho, o dólar acumulou queda de 2,46 por cento e, no segundo trimestre, de 2,57 por cento, a primeira queda trimestral em um ano. Mas, no ano, a moeda norte-americana ainda mostra importante valorização sobre o real, de 16,93 por cento.

"O dólar estabilizou perto desses patamares, um pouco acima de 3 reais, e tudo leva a crer que, na ausência de grandes surpresas, ele continue por aí", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues, ressaltando que os juros oferecidos pelo Brasil são "muito atraentes" a investidores estrangeiros.

Hoje, a Selic está em 13,75 por cento ao ano e a expectativa do mercado é de que mais altas venham para segurar a inflação.

Rodrigues ressaltou, no entanto, que no longo prazo a perspectiva ainda é de avanço da moeda norte-americana ante o real, refletindo as expectativas de alta de juros do Federal Reserve, banco central norte-americano, dificuldades relacionadas ao ajuste fiscal no Brasil e a apreensão com as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

"Acreditamos que os riscos no Brasil são abundantes: associados a possíveis revisões de ratings e aos muitos riscos políticos relacionados às investigações de corrupção e ao ambiente político instável", escreveu o analista do Nomura João Pedro Ribeiro em nota a clientes.

Nesta sessão, a queda do dólar teve como pano de fundo também a briga pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve de referência para diversos contratos cambiais. Nos últimos pregões do mês, operadores costumam disputar para deslocar a taxa para patamares mais favoráveis a suas posições cambiais.   Continuação...

 
Notas de dólar norte-americano. 31/03/2015 REUTERS/Sergio Moraes