ENFOQUE-Fusões no Brasil decepcionam até junho, mas devem ter repique no 2º semestre

quarta-feira, 1 de julho de 2015 10:29 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal e Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Executivos de bancos estão decepcionados com o fraco volume movimentado em fusões e aquisições no Brasil neste ano até junho, mas preveem que os ativos mais baratos, devido um real depreciado e o grande volume de recursos de gestores de private equity, devem mudar o jogo nos próximos meses.

Dezenas de tentativas de acordos foram suspensas na primeira metade de 2015, com o país enfrentando turbulência econômica e política. Ainda assim, o trabalho de assessoria financeira foi intenso no período, forçando bancos a envolver mais gente do que o habitual para lidar com transações que foram feitas, disseram profissionais do setor à Reuters.

    Embora as perspectivas para a economia doméstica sigam desanimadoras, os esforços do governo federal para controlar a inflação e as contas fiscais estão melhorando gradualmente a confiança de investidores, segundo executivos. Além disso, preços mais atraentes para alvos de aquisição devem ajudar a transformar planos em negócios efetivos.

    "Já sabíamos que nesse ano não seria fácil fechar negócios", disse o chefe de fusões no Bradesco BBI, Alessandro Farkuh. "Apesar do cenário estar melhorando gradativamente, as transações estão demorando para ser concluídas. Estamos gastando mais energia e mais tempo para fechar negócios."

    No ano até 30 de junho, as companhias anunciaram 14,47 bilhões de dólares em fusões no Brasil, menor volume em uma década, mostrou um levantamento da Thomson Reuters. O número de transações caiu 39 por cento ante o ano anterior, e 65 por cento na comparação com os últimos seis meses de 2014.

    Apenas 117 negócios, no valor de 5,95 bilhões dólares, foram anunciados no segundo trimestre, ante 139 nos primeiros três meses do ano, como conseqüência da pior recessão em duas décadas e um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras.

    O BTG Pactual liderou o ranking de assessores financeiros, coordenando 7,53 bilhões de dólares em transações de janeiro a junho. O Itaú BBA, banco de investimento do Itaú Unibanco, liderou em número de negócios, tendo participado de 17 operações no semestre.

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