Grécia pode aceitar resgate com condições, enquanto Alemanha permanece cética

quarta-feira, 1 de julho de 2015 11:22 BRT
 

Por Renee Maltezou e Alastair Macdonald

ATENAS/BRUXELAS (Reuters) - O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, escreveu aos credores internacionais dizendo que a Grécia pode aceitar a oferta de resgate mais recente se algumas condições forem alteradas, mas a Alemanha afirmou que não pode negociar enquanto a Grécia continuar com a decisão de realizar um referendo sobre o acordo.

Em troca da aceitação com condições, o líder esquerdista, que até agora tem pedido que os gregos rejeitem os termos do resgate no referendo planejado para domingo, pediram um empréstimo de 29 bilhões de euros para cobrir todos os pagamentos de serviço de dívida que vencem nos próximos dois anos.

Com filas se formando em caixas automáticos um dia depois de a Grécia se tornar a primeira economia avançada a dar calote no Fundo Monetário Internacional (FMI) e com sinais de que a oferta de notas está ficando baixa, Tsipras está sob crescente pressão política para alcançar um acordo.

Tsipras pediu em carta aos credores, vista pela Reuters, para manter o desconto do imposto sobre valor agregado para ilhas da Grécia, adiar os cortes de gastos com defesa e também a eliminação progressiva do complemento de renda para pensionistas mais pobres.

"Como vocês notarão, nossas alterações são concretas e respeitam totalmente a robustez e credibilidade do projeto do programa geral", escreveu ele.

Os ministros das Finanças da zona do euro vão discutir o pedido grego em teleconferência marcada para às 12h30 (horário de Brasília), mas a reação inicial de ministros e autoridades foi de que a carta contém elementos que os ministros acharão difícil aceitar.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Grécia não cumpriu suas obrigações. Ela não excluiu mais negociações, mas descartou iniciá-las enquanto a Grécia avança para realizar o referendo. "Antes do referendo, nenhuma negociação a mais sobre o programa de ajuda pode acontecer", disse ela.

Não estava claro se o referendo aconteceria depois que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, indicou na terça-feira que ele poderia ser descartado se um acordo pudesse ser alcançado.   Continuação...

 
Gerente de banco tenta explicar situação a centenas de pensionistas em fila do lado de fora do Banco Nacional, em Atenas. 01/07/2015 REUTERS/Yannis Behrakis