2 de Julho de 2015 / às 15:05 / 2 anos atrás

Produção industrial surpreende e avança 0,6% em maio, melhor resultado em quase 1 ano

Funcionário carrega porta de um Ford na linha de montagem da empresa em São Bernardo do Campo. 13/08/2013Nacho Doce

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A produção industrial brasileira surpreendeu em junho ao subir 0,6 por cento com a retomada do crescimento em bens de consumo e bens de capital, interrompendo três meses de queda e no melhor resultado em quase um ano, mas insuficiente para mudar os rumos do setor neste ano.

O resultado mensal é o melhor desde julho de 2014 (+0,8 por cento), entretanto ainda é pouco para recuperar a perda acumulada de 3,2 por cento entre fevereiro e abril. Assim, o setor industrial acumula perdas de 6,9 por cento nos cinco primeiros meses de 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Na comparação com o mesmo mês de 2014, a produção caiu 8,8 por cento, 15ª taxa negativa nessa base de comparação e a segunda mais acentuada neste ano.

"Claro que uma informação positiva sempre é melhor do que uma manutenção de quedas. Mas ela não reverte a trajetória de queda da indústria ou recupera a perda que vem desde setembro para cá, até por que nas demais comparações os resultados são negativos e há disseminação", destacou o economista do IBGE André Macedo.

Tanto a leitura mensal quanto a anual foram bem melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, respectivamente de recuos de 0,60 por cento e de 10,20 por cento.

Para analistas, ainda é muito difícil prever quando será o ponto de virada para a indústria, cuja contração neste ano é certa.

"O nível está tão baixo que qualquer alicate, qualquer escada de obra puxa para cima. Mas o cenário geral da indústria não melhora. Alguns pontos sofrem com o efeito da renda, como têxtil e vestuário. Já alimentação têm a ver com a inflação", destacou o economista-chfe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves.

CONSUMO E INVESTIMENTOS

Entre as categorias de produção, o destaque ficou para Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis, com alta de 1,2 por cento em maio sobre abril para interromper sete recuos mensais seguidos, quando acumulou queda de 8,5 por cento.

"A lógica de estoques altas permeia toda a indústria, mas nesse segmento de não duráveis pode-se ter chegado ao equilíbrio entre oferta e demanda", disse Macedo, do IBGE.

Já Bens de Capital, uma medida de investimento, voltou a registrar taxa positiva, de 0,2 por cento em maio, após três quedas seguidas em que acumulou perdas de 12,5 por cento.

Em relação aos 24 ramos pesquisados, segundo o IBGE, 14 registraram alta na produção, sendo as principais influências positivas outros equipamentos de transporte (8,9 por cento), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1 por cento) e perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (1,9 por cento).

Apesar da leve recuperação em maio, para junho o cenário já indica problemas. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) aponta que a indústria brasileira encerrou o segundo trimestre com contração devido às dificuldades econômicas que afetam a entrada de novos negócios.

A indústria vem exercendo um dos principais pesos sobre a economia brasileira como um todo, em meio à inflação alta, juros elevados que encarem o crédito e confiança abalada.

"Os números foram piorando e agora vemos recuperação apenas no final de 2016. O ponto é mais uma vez a falta de confiança, com um governo que ainda tem dificuldades em adotar algumas medidas que reflitam em maior confiança", disse o economista da Guide Investimento Ignacio Crespo Rey.

A expectativa de especialistas na última pesquisa Focus é de que a produção do setor vai recuar este ano 4,0 por cento, com o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrando contração de 1,49 por cento.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte, no Rio de Janeiro; Edição de Patrícia Duarte

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