Prejuízos da corrupção na Petrobras são maiores que R$6 bilhões, diz procurador

quinta-feira, 2 de julho de 2015 12:13 BRT
 

(Reuters) - Os prejuízos causados à Petrobras (PETR4.SA: Cotações) decorrentes do esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato são "significativamente maiores" do que os 6 bilhões de reais apresentados no balanço da estatal, afirmou nesta quinta-feira o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos Fernando dos Santos Lima.

A declaração do procurador foi dada após a prisão do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada, nesta manhã, como parte da 15ª etapa da operação. Segundo Lima, no que se refere às investigações sobre as diretorias chegou-se a um "bom termo", após a prisão de quatro ex-diretores.

Além de Zelada, já haviam sido presos pela PF os ex-diretores Nestor Cerveró, a quem Zelada substitiu na diretoria da área Internacional, Paulo Roberto Costa (Abastecimento) e Renato Duque (Serviços).

Na avaliação do MPF, o número das perdas com corrupção divulgado pela Petrobras é válido para efeitos de balanço, mas é conservador. "Nós não temos dúvida de que os prejuízos são significativamente maiores do que os 6 bilhões que foram lançados no balanço", disse Lima.

"Mas é quase impossível fazer a mensuração, porque há uma série de efeitos que se replicam em toda a cadeia de licitação", afirmou o procurador da força-tarefa da Lava Jato, em entrevista à imprensa em Curitiba.

Questionada pela Reuters, a estatal afirmou que não vai comentar as declarações do procurador. O presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, já havia afirmado anteriormente que a petroleira poderia rever suas avaliações sobre os prejuízos causados pela corrupção caso novas etapas da Lava Jato trouxessem novas informações. [nL1N0XJ3EY]

A Petrobras anunciou em abril baixa contábil de 6,2 bilhões de reais relacionados com valores desviados no esquema de fixação de preços, suborno e propina investigado pela Lava Jato, o maior esquema de corrupção já revelado na história do país.

De acordo com o MPF, cerca de 700 milhões de reais foram devolvidos à empresa até o momento por empresas e acusados de envolvimento no processo que fizeram acordo com o Ministério Público. Até o fim do ano, a expectativa dos procuradores é de que a empresa receba no total 1 bilhão de reais de volta.

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Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima  em entrevista à Reuters, em Curitiba  23/66/2015 REUTERS/Rodolfo Buhrer