Ministro das Finanças grego diz que Europa não vai deixar Atenas falir

sábado, 4 de julho de 2015 11:38 BRT
 

Por Lefteris Karagiannopoulos e Matt Robinson

ATENAS (Reuters) - O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, acusou os credores do país de tentarem “aterrorizar” os gregos para que aceitem as medidas de austeridade, alertando que a Europa tem tanto a perder quanto Atenas se a Grécia for forçada a abandonar o euro após um referendo, no domingo, sobre os termos de um novo resgate financeiro.

Após uma semana em que a Grécia deixou de fazer pagamentos, fechou bancos e passou a restringir o uso de dinheiro vivo, os gregos vão votar se aceitam ou não as duras condições impostas pelos credores internacionais para prolongar uma linha de financiamento emergencial que tem mantido à tona o país afundado em dívidas.

O governo esquerdista estimula o voto no “Não”, dizendo que os parceiros europeus da Grécia estão blefando ao alertarem que a rejeição resultaria na retirada da Grécia da zona do euro, o que teria consequências imprevisíveis para as economias grega, europeia e global.

"O que eles estão fazendo com a Grécia tem um nome: terrorismo", disse Varoufakis em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, publicada neste sábado. "Por que eles nos forçaram a fechar os bancos? Para aterrorizar as pessoas. E quando se fala de espalhar o terror, isso é conhecido como terrorismo."

Perguntado por que acredita que um acordo será alcançado, mesmo se os gregos votaram "Não" no referendo de domingo sobre os termos de um possível novo acordo de resgate, ele disse que fracassar nas negociações teria um custo alto para ambos os lados.

"Porque tem muita coisa em jogo, tanto para a Grécia como para a Europa, eu tenho certeza. Se a Grécia falir, um trilhão de euros (o equivalente ao PIB da Espanha) serão perdidos. Isso é muito dinheiro e não acredito que a Europa vai permitir isso", disse Varoufakis.

Pesquisas de opinião divulgadas na sexta-feira davam estreita vantagem ao “Sim”, o que favoreceria a aceitação dos termos de resgate, mas todos os levantamentos colocaram a diferença entre os dois lados dentro das margens de erro, e os institutos de pesquisa disseram que a votação seria apertada demais para se prever o resultado.

Apenas uma pesquisa mostrou o “Não” à frente, apesar de ao menos 50 mil pessoas contrárias ao acordo terem se aglomerado em um comício no centro de Atenas na sexta, mobilização que pareceu signifcativamente maior do que evento semelhante a favor do “Sim” realizado ao mesmo tempo.   Continuação...