5 de Julho de 2015 / às 21:29 / 2 anos atrás

Mercados europeus se preparam para abalo depois de "Não" grego

LONDRES (Reuters) - Os mercados acionários e de dívida da Europa devem sofrer um forte abalo na segunda-feira depois que a população da Grécia rejeitou duros termos de austeridade previstos em um pacote de ajuda econômica ao país. Executivos do setor financeiro afirmam que a resposta do Banco Central Europeu é chave para se determinar o tamanho do contágio.

Muitos economistas, incluindo os do banco norte-americano JP Morgan, reconhecem que o resultado do referendo neste domingo vai provavelmente acelerar a saída da Grécia da zona do euro.

“Apesar da situação ser fluída, neste momento a saída da Grécia da zona do euro parece mais provável”, disse Malcolm Barr, do JP Morgan, em relatório a clientes enviado neste domingo. Ele acrescentou que a exclusão grega do euro, que passou a ser conhecida como “Grexit”, é o cenário base do banco.

“O ‘Não’ provavelmente significa saída do euro”, disse o britânico Barclays.

Em negócios na região Ásia-Pacífico, o euro caía mais de 1 por cento contra o dólar e mais de 2 por cento contra o iene.

Apesar da desvalorização da moeda em si não ser prejudicial à economia da zona do euro, a reação de outros mercados de dívida no sul da zona do euro e o comportamento dos mercados acionários na segunda-feira serão uma melhor medida sobre o tipo de choque produzido pelo referendo grego.

Até sexta-feira, muitos investidores tinham assumido que o ‘Sim’ venceria o plebiscito.

A posição do Banco Central Europeu sobre se continuará a fornecer recursos emergenciais aos bancos gregos, fechados na semana passada e que estão reforçando controles sobre saques, será decisiva.

Fontes próximas do assunto afirmaram neste domingo à Reuters que o BCE continuará a financiar os bancos sob os níveis restritivos da semana passada.

Mas muitos bancos afirmam que o banco central precisa emitir um comunicado sobre medidas anticontágio da crise grega, talvez manifestando a possibilidade de acelerar ou expandir a política de aquisição de títulos conhecida como “quantitative easing” para acalmar os mercados.

“O BCE tem sido claro: se precisarmos fazer mais, faremos mais. Encontraremos os instrumentos necessários”, disse Benoit Coeure, membro executivo do BCE, neste domingo.

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