July 6, 2015 / 11:50 AM / 2 years ago

Ministro das Finanças grego se demite para facilitar negociações após estrondoso "Não"

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Ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, durante discurso em Atenas. 05/07/2015Alkis Konstantinidis

ATENAS/FRANKFURT (Reuters) - O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, renunciou nesta segunda-feira, removendo um importante obstáculo para qualquer acordo que vise manter o país na zona do euro, depois que os gregos votaram de modo esmagador em apoio ao governo para que rejeite os termos de um pacote de ajuda vinculado a novas medidas de austeridade.

Varoufakis, um economista que se declara um “marxista errático” e enfureceu os parceiros da zona do euro com o seu estilo pouco convencional e afirmações intimidadoras, fez campanha pelo “Não” no referendo de domingo, acusando os credores da Grécia de "terrorismo".

"Eu estava ciente de uma certa" preferência "por parte de alguns participantes do Eurogrupo, e vários parceiros, pela minha... 'ausência' de suas reuniões; uma ideia que o primeiro-ministro considerou potencialmente útil para ele chegar a um acordo", disse Varoufakis em comunicado.

Seu sacrifício, depois de prometer aos gregos que iria conseguir um acordo melhor um dia depois do estrondoso “Não” na consulta popular, indica que o primeiro-ministro Alexis Tsipras, de esquerda, está determinado a tentar chegar a um compromisso de última hora com os líderes europeus.

O negociador-chefe da Grécia nas negociações com os credores internacionais, Euclides Tsakalotos, um economista acadêmico de fala mansa, é o favorito para se tornar o novo ministro das Finanças, disse um alto funcionário do governo. Tsakalotos já tinha assumido um papel de destaque com os credores após Varoufakis ter sido afastado das negociações em abril.

O ministro das Finanças austríaco, Hans Joerg Schelling, disse em voz alta o que muitos colegas têm sussurrado em particular: que espera que as negociações com a Grécia se tornem mais fáceis com a partida de Varoufakis.

Para conseguir qualquer novo acordo, a Grécia terá de superar a desconfiança dos parceiros, sobretudo a Alemanha, o maior credor do país e maior economia da União Europeia, onde a opinião pública assumiu uma posição dura em favor da saída da Grécia da zona do euro.

Varoufakis manteve um relacionamento particularmente amargo com o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble. Questionado sobre a saída de Varoufakis, um porta-voz do governo alemão disse a repórteres que as políticas são mais importante do que as pessoas.

A porta para as negociações com a Grécia em um novo programa de ajuda está aberta, mas as condições não serão formuladas enquanto não houver novas propostas de Atenas, disse o porta-voz Steffen Seibert.

Enquanto gregos em festa comemoraram o resultado do referendo no domingo, em Bruxelas há um clima de preocupação.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, disse em entrevista coletiva que não há um caminho fácil para o fim da crise e que o resultado da votação aumentava as diferenças entre a Grécia e os outros países da zona do euro.

Tsipras falou por telefone com o presidente francês, François Hollande, que tenta mediar um acordo antes de uma cúpula de emergência da zona do euro na terça-feira. Hollande terá um encontro ainda nesta segunda com a chanceler alemã, Angela Merkel, para buscar uma resposta conjunta das duas maiores economias do bloco.

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