Indústrias de soja no Brasil reduzem esmagamento por aperto nas margens

terça-feira, 7 de julho de 2015 14:38 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os crescentes preços da soja em grãos, que não são acompanhados pelas cotações do farelo de soja, estão reduzindo as margens de indústrias brasileiras de esmagamento e, pelo menos em alguns casos, reduzindo a produção.

Do início de maio até o fim de junho, os preços da soja subiram 8 por cento, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa do porto de Paranaguá, em meio a uma forte demanda para exportação.

No mesmo período, o preço do farelo --principal subproduto do esmagamento da soja-- caiu 3,3 por cento em Campinas, relevante praça de referência.

Na EG Log, uma empresa de São Paulo que processa 120 mil toneladas de soja por ano, o esmagamento está praticamente parado.

"De maio para frente, a margem está negativa... Hoje estou quase parando a operação de esmagamento", disse à Reuters o gerente comercial da empresa, Eduardo Fogaça, revelando que a empresa está trabalhando neste momento com a compra e revenda de óleo de soja bruto e com o comércio de milho.

Cada empresa tem margens diferentes, que dependem de sua localização, acordos comerciais e eficiência operacional, e esses números não são divulgados, tampouco estimados pelas consultorias do setor.

Segundo Fogaça, se a EG Log estivesse esmagando soja atualmente, a margem líquida seria 8 por cento negativa, sem colocar na equação alguns créditos fiscais que acabam abatendo parte dos custos.

O supervisor de compras de uma indústria de carne suína do Rio Grande do Sul, que tem relação muito próxima às esmagadoras devido às aquisições de insumos para ração, relata que as margens de soja processada estão próximas a zero neste momento.   Continuação...