ENFOQUE-Alta de imposto sobre cosméticos começa a ser repassada aos preços com força em julho

quinta-feira, 9 de julho de 2015 11:51 BRT
 

Por Luciana Bruno

SÃO PAULO (Reuters) - Segunda maior rede de salões de beleza do Rio de Janeiro, a Walter's notou nos últimos meses uma forte queda na demanda por serviços, enquanto clientes que antes faziam escova nos cabelos ou manicure semanalmente passaram a fazê-los quinzenalmente ou até mesmo uma vez por mês.

A redução da procura se estendeu a serviços como pintura e tratamento para cabelos, maquiagem, entre outros.

"O cliente está saindo menos de casa, evitando comer fora e, para economizar, está fazendo menos escova e menos pé e mão", disse Walter Filho, sócio da marca que tem 12 unidades no Estado.

O cenário para os salões de beleza pode ficar ainda mais difícil diante do aumento da carga tributária sobre o setor de cosméticos, que começará a sentir a partir deste mês impacto mais forte nos preços de produtos como perfumes e maquiagens.

Em maio, o governo federal passou a cobrar Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também de atacadistas de cosméticos, além do já cobrado dos fabricantes, o que segundo a associação do setor Abihpec elevará os preços em até 12 por cento acima da inflação, que atingiu 8,89 por cento pelo IPCA em 12 meses até junho. A previsão da entidade é que as vendas do setor recuem 17 por cento em 2015.

Os produtos afetados pelas mudanças são alguns tipos de perfumes mais concentrados; maquiagens para boca, olhos e rosto; esmaltes; produtos de cuidados da pele; preparações para barbear e fixadores, alisantes e pinturas para cabelo, entre outros.

"Sem dúvida vai afetar as vendas", disse o presidente da Associação Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal Perfumaria Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basilio.

Segundo ele, outro efeito da alta dos tributos foi a antecipação de vendas da indústria para o atacado e varejo em maio e junho, o que deve impactar o desempenho nos próximos meses. "Os efeitos (da alta de impostos) no que diz respeito a aumento de preços (para lojistas e consumidores) estão sendo sentidos a partir de julho", completou, salientando que em agosto o impacto será "total".   Continuação...