Barbosa diz que meta para primário de 1,1% do PIB neste ano é uma "hipótese factível"

segunda-feira, 13 de julho de 2015 16:09 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta segunda-feira que manter a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública deste ano, equivalente a 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), é uma "hipótese factível".

Ele acrescentou, no entanto, que o governo tem avaliado o cenário fiscal e, ao ser questionado se está sendo considerada uma banda para a meta de superávit primário, ele apenas respondeu que o governo vai se pronunciar sobre assuntos fiscais na próxima semana, com a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas.

"O governo está sempre avaliando alternativas possíveis. Essa discussão... começou no Congresso, mas obviamente cabe ao governo propor qualquer que seja a iniciativa", afirmou o ministro a jornalistas, após reunião do conselho político com a presidente Dilma Rousseff.

"O governo está empenhado em recuperar o resultado primário, em promover o reequilíbrio fiscal que primeiro estabilize e depois reduza a dívida", acrescentou ele, repetindo diversas vezes que o tema meta de superávit primário não teria sido discutido na reunião mais cedo.

A meta estabelecida para este ano é de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1 por cento do PIB, mas o atual cenário econômico --com recessão econômica e baixa arrecadação-- já colocou em xeque esse número. O setor público brasileiro acumula déficit primário equivalente a 0,68 por cento do PIB nos 12 meses até maio, último dado disponível.

Também em maio, a arrecadação atingiu o pior resultado em cinco anos para esse mês, acumulando no ano 510,117 bilhões de reais, 2,95 por cento menor em termos reais sobre igual período do ano passado.

Nos bastidores, o governo estuda reduzir a meta de primário neste ano. No Congresso, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou uma proposta para reduzir a meta neste ano a 22,1 bilhões de reais (0,4 por cento do PIB) e a do próximo ano ao equivalente a 1 por cento do PIB, metade da meta atual de 2 por cento.

Barbosa disse ainda que o governo estuda outras medidas para tentar melhorar a arrecadação e também faz um pente fino nos gastos, "para ver se mais alguma coisa pode ser feita".

Para o estrategista para América Latina do Barclays, Bruno Rovai, a redução para a meta de superávit primário deste ano não teria impacto na credibilidade do governo, uma vez que as condições da economia pioraram e o mercado já trabalha com patamar menor.   Continuação...

 
Ministro Nelson Barbosa faz discurso no Palácio do Planalto.  9/6/2015.   REUTERS/Bruno Domingos