Setor siderúrgico piora perspectivas e ameaça demitir mais 4 mil em 2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015 16:26 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria siderúrgica do Brasil voltou a revisar para baixo suas estimativas de desempenho neste ano e informou nesta segunda-feira que pode demitir mais 4 mil funcionários até o final do ano, diante do baixo nível de utilização de capacidade produtiva.

O Instituto Aço Brasil (IABr), que representa as siderúrgicas, afirmou que desde junho do ano passado o setor demitiu 11,2 mil funcionários, com outros 1.400 em suspensão de contratos de trabalho. Incluindo os 4 mil ameaçados de corte, o setor pode chegar ao fim do ano com uma redução de cerca de 12 por cento de sua força de trabalho em relação a junho do ano passado, disse o presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, a jornalistas, durante congresso da indústria.

A projeção de cortes vale para o atual cenário estimado pelo IABr, que vê queda na produção de aço bruto de 3,4 por cento no Brasil este ano, a 32,75 milhões de toneladas. Até abril, a entidade esperava por uma alta de 6,5 por cento na produção neste ano.

"Mercado interno fraco, energia mais cara, juros e carga tributária em alta fizeram com que o setor enfrentasse uma utilização de capacidade muito baixa. Estamos operando a 69 por cento quanto o ideal seria acima de 80 por cento", disse Lopes. "Infelizmente, se não houver uma reversão, vai haver um agravamento da situação", disse ele em relação às demissões.

O IABr também cortou a projeção para as vendas no mercado interno, que já era de queda. A entidade espera agora recuo de 15,6 por cento no volume de aço comercializado no Brasil em 2015, a 18,3 milhões de toneladas. A estimativa anterior previa queda de 8 por cento nas vendas sobre 2014.

A perspectiva para o consumo aparente, que inclui vendas internas mais importação, é de queda de 12,8 por cento este ano, a 24,6 milhões de toneladas, ante estimativa anterior de queda de 7,8 por cento.

"Considerando os últimos dois anos, temos uma queda de mais de 20 por cento no consumo aparente", disse Benjamin Baptista Filho, presidente do IABr e da ArcelorMittal no Brasil. "Se os clientes não estão conseguindo produzir como previam antes, isso tem um impacto direto em nós", acrescentou.

Baptista disse que a situação mais grave é para o segmento de aços planos, uma vez que em longos ainda há demanda de obras de moradia e infraestrutura, apesar da escassez de novos projetos. "A luz não está no fim do túnel", disse o presidente da ArcelorMittal no Brasil.   Continuação...