14 de Julho de 2015 / às 14:45 / 2 anos atrás

Grécia precisa de alívio de dívida maior que planos da UE, aponta relatório secreto do FMI

(Reuters) - A Grécia precisará de alívio de dívida muito além do que parceiros da zona do euro estão preparados a considerar devido à devastação da economia e dos bancos do país nas últimas duas semanas, de acordo com estudo confidencial do Fundo Monetário Internacional (FMI) visto pela Reuters.

Bandeira grega vista em prédio de universidade em Atenas. 30/06/2015 REUTERS/Yannis Behrakis

A análise atualizada de sustentabilidade da dívida foi enviada aos governos da zona do euro no fim da segunda-feira, horas após Atenas e seus 18 parceiros terem concordado em princípio em abrir negociações sobre o terceiro programa de resgate de até 86 bilhões de euros em troca de reformas estruturais e medidas de austeridade mais duras.

“A deterioração dramática da sustentabilidade da dívida indica a necessidade de alívio de dívida em uma escala que precisaria ir muito além do que tem sido considerado até agora --e o que foi proposto pelo ESM”, disse o FMI, em referência ao fundo de resgate do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês).

Os países da Europa terão de dar à Grécia um período de carência de 30 anos para o serviço de toda sua dívida europeia, incluindo novos empréstimos, e uma extensão de prazo muito dramática, ou como alternativa fazer transferências fiscais anuais explícitas ao orçamento grego ou aceitar “profundos cortes imediatos” sobre seus empréstimos a Atenas, segundo o relatório.

O relatório foi vazado ao mesmo tempo em que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, revelou que alguns membros do governo em Berlim acreditam que seria melhor que a Grécia ficasse “temporariamente” fora da zona do euro em vez de receber outro resgate gigantesco.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, participou de conversas no fim de semana entre ministros das Finanças da zona do euro e líderes de governos que acertaram o roteiro para o novo resgate. Uma fonte da UE afirmou que os novos números de sustentabilidade da dívida foram informados ao Eurogrupo no sábado, e que eram conhecidos pelos líderes de governos antes de terem concluído o acordo de segunda-feira com Atenas.

O estudo do FMI diz que o fechamento de bancos gregos e a imposição de controles de capital em 29 de junho está “cobrando um preço caro do sistema bancário e da economia, levando a uma maior deterioração significativa da sustentabilidade da dívida em relação ao que havia sido projetado em nossa recém-publicada análise de sustentabilidade da dívida”.

Membros europeus do conselho executivo do FMI tentaram em vão impedir a publicação do estudo anterior em 2 de julho, apenas três dias antes do referendo grego que rejeitou os termos anteriores de resgate, disseram à Reuters fontes familiarizadas com as discussões.

O estudo do FMI mais recente informa que a dívida grega agora atingirá um pico de próximo de 200 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos dois anos, ante o máximo projetado anteriormente de 177 por cento.

Mesmo até 2022, a dívida atingirá o equivalente a 170 por cento do PIB, em comparação à estimativa anterior de 142 por cento, publicada há somente duas semanas.

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