FMI pede alívio da dívida grega enquanto Alemanha fala duro

terça-feira, 14 de julho de 2015 12:42 BRT
 

Por Renee Maltezou e Jan Strupczewski

ATENAS/BRUXELAS, (Reuters) - Um estudo secreto do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou que a Grécia precisa de muito mais alívio da dívida que os governos europeus estão dispostos a contemplar até agora, enquanto a Alemanha eleva a pressão sobre Atenas para reformar.

O forte alerta do FMI sobre a dívida de Atenas vazou no momento em que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, tem dificuldades para convencer parlamentares esquerdistas insatisfeitos a votarem a favor do pacote de austeridade e reformas econômicas liberais para garantir novo resgate.

O estudo, visto pela Reuters, traz que países europeus teriam que dar à Grécia um período de carência de 30 anos sobre o serviço de todas as suas dívidas, incluindo novos empréstimos, e uma dramática prorrogação dos vencimentos. Ou então terão que fazer transferências anuais ao orçamento grego ou aceitar "fortes cortes antecipados" em empréstimos existentes.

A Análise de Sustentabilidade da Dívida deve ampliar o forte debate na Alemanha sobre emprestar ainda mais dinheiro à Grécia.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, deixou claro nesta terça-feira que alguns membros do governo acham que faria mais sentido Atenas deixar a zona do euro temporariamente.

Assumindo que Atenas cumpra sua parte do acordo esta semana aprovando série de medidas dolorosas, o Parlamento alemão deve se reunir em sessão especial na sexta-feira para debater se autoriza o governo a abrir novas negociações.

"A deterioração dramática da sustentabilidade da dívida indica a necessidade de alívio de dívida em uma escala que precisaria ir muito além do que tem estado sob consideração até agora, e o que foi proposto pelo ESM", informou o FMI, em referência ao Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira.

Uma fonte da UE disse que ministros das Finanças e líderes da zona do euro estavam cientes dos números confidenciais do FMI quando concordaram na segunda-feira com o mapa do caminho para o terceiro resgate.   Continuação...

 
Sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington.  01/07/2015   REUTERS/Jonathan Ernst