July 14, 2015 / 3:40 PM / 2 years ago

Irã firma acordo nuclear com potências, em avanço histórico com EUA

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Autoridades falam sobre acordo nuclear com Irã em Viena. 14//7/2015.Carlos Barria

VIENA (Reuters) - O Irã e seis potências mundiais chegaram a um acordo nuclear nesta terça-feira, coroando mais de uma década de negociações com um compromisso que poderá transformar o Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou o passo rumo a “um mundo mais esperançoso”, e seu colega iraniano, Hassan Rouhani, disse que o pacto provou que “o envolvimento construtivo funciona”. Israel, no entanto, prometeu fazer o que puder para deter o que classificou como uma “rendição histórica”.

Agora o entendimento será debatido pelo Congresso dos EUA, mas Obama afirmou que vetará qualquer medida para bloqueá-lo.

“Este acordo oferece uma oportunidade de seguir em uma nova direção”, declarou Obama. “Devemos aproveitá-lo.”

O acordo não encerra a controvérsia sobre uma das questões diplomáticas mais críticas no momento: a União Europeia o definiu como um "sinal de esperança para o mundo inteiro", diferentemente da “rendição” vista pelo governo de Israel.

Sob o acordo, as sanções impostas ao Irã pelos EUA, União Europeia e Organização das Nações Unidas (ONU) serão removidas em troca de o governo iraniano concordar com restrições de longo prazo a um programa nuclear que países ocidentais suspeitavam ser uma fachada para a criação de uma bomba nuclear.

O acordo é uma grande vitória política tanto para Obama como para Rouhani, um político pragmático eleito há dois anos com a promessa de reduzir o isolamento diplomático do país de 77 milhões de habitantes.

Mas ambos os líderes enfrentam o ceticismo interno de poderosos grupos linha-dura, depois de décadas de inimizade entre EUA e Irã, nações que se referiam uma a outra como "o Grande Satã" e membro do "eixo do mal".

Rouhani foi rápido ao apresentar o acordo como um passo no caminho para um objetivo mais amplo de cooperação internacional. O acordo mostra que o engajamento construtivo funciona", tuitou ele. "Com essa crise desnecessária resolvida, novos horizontes surgem com foco em desafios comuns", disse.

“Hoje é o fim dos atos de tirania contra nossa nação e o início da cooperação com o mundo”, disse Rouhani em rede nacional de televisão. “Este é um acordo recíproco. Se eles o mantiverem, o manteremos. A nação iraniana sempre cumpriu suas promessas e seus tratados.”

Para Obama, a diplomacia com o Irã, iniciada em segredo mais de dois anos atrás, se posiciona ao lado da normalização das relações com Cuba como marcos do seu governo, por buscar uma aproximação com os inimigos que atormentaram os seus antecessores por décadas.

“A história mostra que os EUA devem liderar não só com nosso poderio, mas com nossos princípios”, afirmou ele, também em discurso na TV. “O anúncio de hoje marca mais um capítulo em nossa busca por um mundo mais seguro, mais solidário e mais esperançoso.”

Embora as principais negociações fossem entre os EUA e o Irã, os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – a Grã-Bretanha, China, França e Rússia – também são partes no acordo, como a Alemanha.

A inimizade entre Irã e Estados Unidos pairou sobre o Oriente Médio durante décadas. O Irã é a principal potência xiita, hostil tanto a Israel quanto aos amigos árabes sunitas de Washington, especialmente a Arábia Saudita. Os aliados de Riad e Teerã lutarram guerras por procuração durante décadas na Síria, no Líbano, no Iraque e no Iêmen.

Mas Washington e Teerã também têm fortes motivos para cooperarem entre si contra inimigos em comum, acima de tudo o Estado Islâmico, grupo militante sunita que ocupou territórios na Síria e no Iraque. Washington vem realizando ataques aéreos contra o Estado Islâmico, enquanto Teerã ajuda milícias iraquianas que combatem a facção no solo.

reação De Israel

Ainda assim, os amigos de Washington na região ficaram furiosos, especialmente Israel, cujo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, cultivou uma relação próxima com os adversários republicanos de Obama no Congresso.

"O Irã vai receber um prêmio acumulado de loteria, uma bonança de centenas de bilhões de dólares em dinheiro, o que lhe permitirá continuar a exercer a sua agressão e terror na região e no mundo", disse ele. "O Irã vai receber um caminho seguro para armas nucleares."

Provavelmente, irão se passar meses antes que o Irã colha os benefícios da suspensão das sanções por causa de necessidade de se verificar o cumprimento do acordo. Uma vez que sua implementação seja confirmada, Teerã irá receber de imediato o acesso a cerca de 100 bilhões de dólares em ativos congelados e pode aumentar as exportações de petróleo, reduzidas em quase dois terços.

A rodada final de negociações em Viena envolveu quase três semanas de intensa negociação entre o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.

Era algo até recentemente impensável para dois países que têm sido amargos inimigos desde 1979, quando revolucionários iranianos invadiram a embaixada dos EUA em Teerã e mantiveram 52 norte-americanos reféns por 444 dias.

Obama tomou a iniciativa de dialogar com os iranianos com um discurso em 2009, poucas semanas depois de iniciar sua presidência, oferecendo “um recomeço”. Mas a esse convite se seguiu um aprofundamento das sanções econômicas, que, combinadas às sanções impostas pela UE, representaram um fardo econômico severo aos iranianos a partir de 2012.

Teerã sempre negou visar uma arma atômica e tem insistido em seu direito de empregar a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Obama jamais descartou o uso da força militar se as negociações fracassassem, e declarou nesta terça-feira que futuros presidentes ainda terão essa opção se o Irã desistir do acordo.

Reportagem adicional de Shadia Nasralla e Bozorgmehr Sharafedin Nouri

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