Alta nas tarifas de energia impulsiona negócios de geração distribuída com placas solares

terça-feira, 14 de julho de 2015 18:46 BRT
 

Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento das tarifas de energia elétrica no Brasil favorece uma rápida expansão da geração solar distribuída, com instalação de painéis fotovoltaicos por consumidores, comércios e indústrias, disseram investidores e especialistas.

Empresas do segmento, muitas das quais são startups, já oferecem pacotes que incluem financiamento para a instalação dos equipamentos, embarcando em um modelo em que o consumidor gera a própria eletricidade e recebe créditos em troca de eventuais excedentes.

A alternativa chamou a atenção também do governo, com o Ministério de Minas e Energia pretendendo lançar neste semestre um plano de incentivo à geração distribuída, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) conduz uma audiência pública para discutir medidas que poderiam levar o país a sair praticamente do zero e atingir 2 gigawatts em geração distribuída em 2024-- equivalentes à potência instalada das usinas nucleares de Angra, no Rio de Janeiro.

O sócio da SolarGrid, Henrique Loyola, que vendeu participação que detinha na corretora XP Investimentos para apostar na microgeração de energia elétrica, estima que para atingir a capacidade projetada pela Aneel serão necessários investimentos de 15 bilhões a 20 bilhões de reais.

"O Brasil é uma enorme oportunidade em geração solar. As tarifas estão muito altas, a radiação solar é muito forte e o mercado é praticamente inexplorado", disse Loyola à Reuters.

O diretor da consultoria E&Y Mario Lima destacou que, além disso, instalações solares podem ser concluídas rapidamente, o que é uma vantagem no momento em que o país busca sair da maior crise de oferta de energia elétrica desde o racionamento, em 2001.

De acordo com estimativa do Banco Central, as tarifas de energia elétrica devem subir neste ano em média 41 por cento, depois de terem subido cerca de 17 por cento no ano passado, tornando mais competitiva a geração distribuída.

"Geração de energia elétrica, particularmente eólica e solar, é basicamente o único setor de fora da atual crise econômica pela qual passa o Brasil", disse Lima.   Continuação...

 
Trabalhador inspeciona painéis solares no teto de um edifício residencial em Yichang, na provícia chinesa de Hubei 16/09/ 2013.   REUTERS/Stringer