Governo quer mais mercado para financiar PIL 2, mas precisa azeitar aparato financeiro

quarta-feira, 15 de julho de 2015 09:23 BRT
 

Por Aluisio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - Passado pouco mais de um mês após o lançamento do Plano de Investimento em Logística (PIL), potenciais interessados estão à espera de sinais do governo federal sobre qual caminho será usado para canalizar recursos privados de longo prazo para o setor.

    Por ora, Banco Central e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), duas esferas que podem ser vitais nesse sentido, sinalizam que não vão trilhar o caminho visto por especialistas como o mais óbvio para atingir esse objetivo, o "project finance", ferramenta que faz a ponte entre os recursos imediatos para iniciar um empreendimento e os de longo prazo.

    Usado com sucesso no exterior, esse mecanismo no Brasil tem sido um instrumento auxiliar, dado que o BNDES tem sido o grande financiador dos projetos de longo prazo. Agora, a perspectiva é que essa realidade mude, dado que o próprio governo federal conta com investidores privados para financiar grande parte dos 200 bilhões de reais esperados para projetos que incluem portos, aeroportos, estradas e ferrovias.

    Para deslanchar, no entanto, um ingrediente vital do project finance é a figura de um agente garantidor.

    Na primeira versão do PIL, em 2012, o governo federal chegou a criar o Fundo Garantidor de Infraestrutura (FGIE) para exercer essa função. O plano era que o fundo recebesse até 11 bilhões de reais. Em novembro passado, o governo já acusando restrições fiscais, autorizou injetar 50 milhões de reais no fundo.

    Para especialistas de mercado, uma saída seria o BNDES ocupar essa posição, que em países vizinhos como Chile e Peru é dividida entre esferas de governo e órgãos multilaterais.

    Com este modelo, o Peru já levantou recursos para construir o metrô da capital Lima e está construindo a hidrelétrica de Chaglia, ambos projetos de bilhões de dólares.

    "O BNDES deveria prover garantias para o mercado, ter um papel bem parecido com o das agências multilaterais", disse o diretor de Project Finance do Itaú BBA, Alberto Zoffmann.   Continuação...