Linhão de Belo Monte deve ter pouca disputa; possível atraso já preocupa

quarta-feira, 15 de julho de 2015 18:09 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O segundo linhão para escoar a geração da hidrelétrica de Belo Monte, que irá a leilão na sexta-feira, deve atrair pouca concorrência, dada a limitada capacidade de investimento das empresas brasileiras de transmissão no momento.

Além disso, especialistas estão preocupados devido a perspectivas de que a estrutura não fique pronta antes da operação plena da usina, situada no Rio Xingu.

O vencedor do certame terá que erguer 2,5 mil quilômetros em linhas de ultra-alta tensão entre Pará e Rio de Janeiro, o que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que demandará cerca de 7 bilhões de reais em investimentos, dos quais apenas 50 por cento devem ser financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"É difícil ter vários consórcios interessados, até pelo próprio porte do investimento, que é muito elevado", disse o pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Brandão.

Apenas a garantia de fiel cumprimento, a ser depositada pelo vencedor antes da assinatura do contrato de concessão, prevista para outubro, é de 700 milhões de reais.

"É muito dinheiro, e como os recursos bancários para o setor andam escassos, provavelmente esse leilão exigirá um aporte de capital próprio bastante grande", disse o especialista Ambrosio Melek, da consultoria Siseletro.

A Aneel estabeleceu um prazo de 50 meses para a conclusão do linhão, o que representaria início de operação por volta de dezembro de 2019.

O cronograma já acende um alerta para o setor, uma vez que Belo Monte deverá estar em produção total em janeiro de 2019, segundo a Norte Energia, responsável pela usina.   Continuação...