ENTREVISTA-Investigação de cartel no câmbio no Brasil pode incluir mais bancos

quarta-feira, 15 de julho de 2015 19:42 BRT
 

Por Leonardo Goy e Cesar Bianconi

BRASÍLIA (Reuters) - A investigação no Brasil sobre um suposto cartel de manipulação do câmbio poderá incluir bancos além dos nomes que constam no processo aberto no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), disse à Reuters nesta quarta-feira o presidente do órgão antitruste, Vinicius de Carvalho.

"Quando você vai fazer os TCCs, se por ventura eles aparecerem, essas empresas têm que em alguma medida colaborar e pode acontecer que numa dessas ela traga um novo agente que não estava no acordo de leniência", disse Carvalho, referindo-se a possíveis Termos de Compromisso de Cessação de Condutas (TCCs) a serem firmados.

Ao mesmo tempo, ele minimizou as chances de adição de bancos brasileiros ao caso. "É uma pergunta que eu me faço também", disse Carvalho, ao ser questionado sobre o fato de não haver instituições nacionais na investigação a respeito da suposta manipulação de taxas de câmbio envolvendo a moeda brasileira.

"Não sei se esse é o caso (de haver bancos brasileiros). Até onde sei, não há citação de banco brasileiro em nenhuma outra leniência que foi feita (no exterior sobre manipulação de câmbio)", afirmou.

Carvalho explicou que, pela legislação brasileira, apenas um dos envolvidos em investigações de cartel pode fazer acordo de leniência, que garante imunidade criminal.

Os demais acusados que queiram colaborar podem fazer TCCs, mas eles não asseguram a imunidade na esfera criminal. "Quem vem fazer um TCC acaba tendo também de ver se consegue fazer uma delação premiada no Ministério Público", explicou.

No começo de julho, o Cade anunciou que vai investigar 15 bancos estrangeiros e 30 pessoas por suposto cartel de manipulação envolvendo o real e divisas estrangeiras. A ação do órgão antitruste brasileiro ocorre em meio a investigações nos Estados Unidos e na Europa envolvendo grandes instituições financeiras acusadas de manipular o mercado global de moedas, inclusive o real.

A investigação aqui teve início a partir de acordo de leniência acertado há alguns meses entre a superintendência-geral do Cade e o Ministério Público Federal. O órgão antitruste não revela o nome do banco que deu origem ao processo, mas notícias na imprensa dão conta de que seria o suíço UBS, que fez o mesmo em outros países.   Continuação...

 
15/07/2015. REUTERS/Ueslei Marcelino