Gargalo na importação de fertilizantes ameaça vendas no Brasil, diz FCStone

quarta-feira, 15 de julho de 2015 18:24 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - As importações brasileiras de fertilizantes, atrasadas neste ano devido ao cenário de custos mais elevados, deverão enfrentar um gargalo logístico nos portos neste semestre, ameaçando a entrega aos agricultores que deixaram para comprar o insumo pouco antes do plantio da safra de verão, em setembro.

A avaliação é da consultoria INTL FCStone, para quem a capacidade brasileira de importação de fertilizantes é insuficiente para atender a demanda pelo produto nos próximos meses, ainda que o consumo seja menor neste ano, em meio a juros mais elevados e desvalorização do real que encarece os produtos importados.

O Brasil, embora seja uma potência agrícola global, importa cerca de três quartos de sua necessidade anual de fertilizantes. No segundo semestre, os negócios tradicionalmente envolvem maiores volumes do que no primeiro.

A analista de fertilizantes da FCStone, Mony Belon, disse à Reuters ser "bem possível" que aqueles que deixaram para comprar o fertilizante na boca da safra, de última hora, fiquem sem receber o produto, por conta do atraso nas importações e dos problemas logísticos.

"Conforme está muito atrasada (a importação), mesmo prevendo redução da demanda, ela (a demanda) vai ser superior à capacidade de importação", disse Mony, lembrando que a venda de fertilizantes ao consumidor final recuou quase 10 por cento no primeiro semestre, ante o mesmo período de 2014.

A FCStone estima que as vendas de fertilizantes vão se recuperar neste segundo semestre ante o primeiro, mas ainda assim devem cair 5 por cento ante o recorde de mais de 32 milhões de toneladas de 2014.

A consultoria estima a necessidade de importação mensal de fertilizantes para julho, agosto e setembro entre 2,7 milhões e 3,3 milhões de toneladas, "já acima da capacidade portuária brasileira".

"Pode haver uma queda maior que os 5 por cento (projetados para o ano) em função do problema logístico", acrescentou a analista. Segundo ela, a eventual falta do produto para abastecer os agricultores pode intensificar a redução esperada da demanda.   Continuação...