ENTREVISTA-Consumo de gasolina e diesel recuará no país em 2015, diz Sindicom

quarta-feira, 15 de julho de 2015 19:15 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A redução da atividade econômica brasileira provocou uma retração no consumo de diesel no primeiro semestre, ante o mesmo período de 2014, e deve influenciar o primeiro recuo anual nas vendas do combustível desde 2009, disse nesta quarta-feira à Reuters um importante representante do setor de distribuição.

"O diesel é muito ligado à performance da economia... quando o mercado começa a vender menos, você transporta menos mercadoria, então você vê claramente que a demanda por diesel começa a desaparecer", afirmou o diretor de Abastecimento & Regulação do Sindicom, Luciano Libório, para quem é "muito difícil" que haja uma recuperação das vendas diante da situação econômica.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve recuar 1,5 por cento em 2015, segundo a última pesquisa Focus, do Banco Central.

O diesel é o combustível mais vendido no Brasil e importante fonte de receita para a Petrobras.

Já a gasolina teve um declínio no consumo de 5,8 por cento no primeiro semestre ante o mesmo período de 2014, influenciada também pelo aumento da competitividade do etanol hidratado, cujas vendas cresceram 41 por cento na mesma comparação, segundo dados antecipados à Reuters pelo diretor do Sindicom, cujas associadas têm cerca de 80 por cento do mercado de distribuição de combustíveis automotivos do país.

As vendas de etanol contribuíram ainda com o aumento do consumo de combustíveis por motores Ciclo Otto, abastecidos por gasolina, etanol e Gás Natural Veicular (GNV). Em gasolina equivalente, o consumo desses motores teve alta de 0,8 por cento no primeiro semestre do ano ante o mesmo período de 2014.

"Se a economia ou a venda de veículos não voltarem a acelerar, esse número (de 0,8 por cento) pode piorar mais para o fim do ano ou no próximo", afirmou Libório.

"Por enquanto, ele ainda está se beneficiando dessa venda de veículos forte dos últimos dois, três anos."   Continuação...