BCE adiará aumento de financiamento à Grécia enquanto Europa decide empréstimo-ponte

quinta-feira, 16 de julho de 2015 09:25 BRT
 

Por Balazs Koranyi e John O'Donnell

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) deve manter o financiamento de emergência para bancos da Grécia no mesmo patamar nesta quinta-feira, adiando uma elevação que teria permitido que os bancos reabrissem parcialmente, enquanto espera que líderes europeus cheguem a uma decisão sobre o apoio financeiro que garante que Atenas possa pagar suas dívidas.

O BCE tem se mantido pronto para aumentar a Assistência de Liquidez Emergencial (ELA, na sigla em inglês) após a Grécia aprovar o acordo de resgate, porém, o banco central precisa primeiro assegurar que a Grécia possui o financiamento temporário para quitar o empréstimo de 3,5 bilhões de euros mais juros com o BCE que vence na segunda-feira.

Uma elevação do financiamento emergencial ajudaria a restaurar a confiança após a Grécia quase ter sido forçada para fora da zona do euro --um debate que desafiou a promessa do presidente do BCE, Mario Draghi, de que a moeda é irreversível.

Declarações do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, de que ele foi forçado a aceitar o acordo também levantaram preocupações no BCE, disse uma fonte familiarizada com a discussão, uma vez que sugere que Atenas pode não estar completamente séria sobre cumprir sua parte do acordo.

Um empréstimo temporário de 7 bilhões de euros já foi acertado em princípio, mas os detalhes técnicos levarão até sexta-feira para serem fechados, disseram autoridades, indicando que o Conselho do BCE pode ter que voltar a se reunir em teleconferência.

A expectativa é de que os Parlamentos nacionais também votem sobre o acordo com parlamentares na Finlândia, conhecida por sua postura cética em relação à Grécia, já tendo aprovado o acordo. O Parlamento alemão votará sobre a questão na sexta-feira.

O BCE também manteve suas taxas de juros inalteradas em mínimas recordes, em linha com as expectativas, após o banco central já dizer que os juros atingiram o "limite mais baixo".

O BCE manteve a taxa de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, em 0,05 por cento. Também deixou a taxa de depósitos em -0,20 por cento, o que significa que bancos pagam para manter recursos na instituição, e manteve a taxa de empréstimo em 0,30 por cento.

A atenção agora passa à coletiva de imprensa de Draghi na qual a incerteza sobre a Grécia e as sugestões persistentes da Alemanha de que o país poderia deixar o euro devem ser os principais focos.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447723)) REUTERS RF CMO

 
Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt, na Alemanha.   28/06/2015   REUTERS/Ralph Orlowski