Governo vê superávit comercial maior e oportunidade no Irã, diz Monteiro

quinta-feira, 16 de julho de 2015 18:19 BRT
 

Por Marcela Ayres e Cesar Bianconi

BRASÍLIA (Reuters) - O superávit comercial brasileiro deve ficar entre 8 bilhões e 10 bilhões de dólares em 2015, acima da faixa de 5 bilhões a 8 bilhões de dólares estimada anteriormente pelo governo, disse à Reuters nesta quinta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto.

Após o Irã ter selado acordo nuclear com seis potências mundiais nesta semana, o ministro também apontou a abertura de uma janela de oportunidades para a pauta de comércio exterior do Brasil.

Monteiro lembrou que o Brasil já exporta um volume significativo para o Irã, com superávit proporcionalmente grande. Na prática, isso abre espaço para o Brasil oferecer algo em termos de importação para, em contrapartida, incrementar "de maneira significativa" os embarques ao país do Oriente Médio.

No primeiro semestre, o Brasil exportou 760,5 milhões de dólares aos iranianos e importou apenas 2 milhões de dólares.

"O Irã passa a ser, agora mais ainda, um foco prioritário de nossa ação de política comercial", disse Monteiro, destacando que o governo organizará uma missão empresarial ao país neste ano.

Entre os produtos brasileiros que devem se beneficiar com o fortalecimento do fluxo de comércio com o Irã, Monteiro citou commodities como açúcar, milho e grãos, além de bens industriais como máquinas e equipamentos, aviões, têxteis e calçados.

Após o Brasil ter revertido em junho um saldo comercial que até então estava no vermelho em 2015, o ministro melhorou nesta quinta-feira sua perspectiva para a balança comercial no ano.

As expectativas de Monteiro são bem superiores às do Banco Central, que vê a balança encerrando o ano com superávit de 3 bilhões de dólares, e do mercado, que projeta um saldo de 5,50 bilhões de dólares, conforme dados mais recentes do boletim Focus.   Continuação...

 
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto. 01/12/2014. REUTERS/Ueslei Marcelino