Parlamentares alemães aprovam negociações de resgate à Grécia após alerta de Merkel

sexta-feira, 17 de julho de 2015 11:02 BRT
 

Por Paul Carrel

BERLIM (Reuters) - Parlamentares alemães aprovaram nesta sexta-feira negociações da zona do euro sobre um terceiro resgate à Grécia, dando ouvidos a um alerta da chanceler Angela Merkel de que a alternativa ao acordo com Atenas seria o caos.

A câmara baixa do Parlamento alemão, o Bundestag, cujo apoio era essencial para o início das negociações, aprovou a realização das conversas com Atenas por 439 votas a favor ante 119 contra, com 40 abstenções.

Há um sentimento de desconfiança popular profundo na Alemanha, o país da zona do euro que mais contribuiu com os dois resgates anteriores da Grécia desde 2010, sobre destinar ainda mais ajuda para Atenas.

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, questionou se o novo programa terá sucesso, apesar de a oferta dos credores a Atenas incluir condições de mais austeridade e reformas econômicas que Berlim havia exigido.

No entanto, Merkel argumentou a favor da negociação de um novo acordo para evitar que a Grécia saia do euro, o chamado "Grexit" que poderia prejudicar toda a união monetária, e disse que sugestões de que Atenas pode deixar temporariamente o bloco não são viáveis.

"A alternativa a esse acordo não seria uma saída temporária da zona do euro... mas sim um previsível caos", disse Merkel ao Bundestag. "Seríamos grosseiramente negligentes, e agiríamos de forma irresponsável, se nós ao menos não tentarmos esse caminho", disse.

O próprio Schaeuble sugeriu que a Grécia poderia ficar melhor saindo temporariamente da zona do euro para solucionar seus enormes problemas econômicos. Mas a chanceler conservadora disse que a Grécia e os outros não estão dispostos a aceitar a ideia. "Portanto esse caminho não é viável", acrescentou.

Apesar de suas desconfianças, Schaeuble alinhou-se com a chefe. "Peço a todos que votem a favor deste pedido hoje. O governo não enviou o pedido com facilidade", disse ele ao Bundestag. "É uma última tentativa de cumprir essa tarefa extremamente difícil".   Continuação...

 
Chanceler alemã, Angela Merkel, durante sessão do Parlamento em Berlim. 17/07/2015 REUTERS/Axel Schmidt