Levy diz que preços de energia podem começar a cair nos próximos meses

sexta-feira, 17 de julho de 2015 18:58 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse nesta sexta-feira que os preços de energia elétrica talvez possam começar a cair nos próximos meses, após a melhora na situação das chuvas e com o realinhamento tarifário colocado em prática pelo governo.

"Muitas coisas da economia começam a dar um sinal de resultados. A própria hidrologia, o clima, ajudaram a questão do setor elétrico, em que houve de um lado uma ação do governo de realinhamento de preços e realismo tarifário, e por outro as chuvas estão melhores", afirmou Levy.

"Então a gente talvez até comece a ver nos próximos meses uma redução do preço da eletricidade, porque também está havendo uma regularização no fluxo das águas e o efeito do realismo tarifário."

Os preços da energia vêm ajudando a manter a inflação sob pressão desde o início do ano, após série de aumentos de impostos e tarifas do setor. Na última pesquisa Focus do Banco Central, os especialistas consultados projetam que os preços administrados irão encerrar este ano com alta de 14,9 por cento, com o IPCA a 9,12 por cento, em boa parte devido aos custos da energia.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a 0,79 por cento, acumulando em 12 meses avanço de 8,89 por cento.

Ao sair de reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), no Rio de Janeiro, Levy também disse a jornalistas que o governo não pode continuar mantendo as despesas com a desoneração e que a demora em votar a redução traz incertezas ao setor produtivo e "acaba esticando o período de ajuste".

"Esta despesa que o governo tem feito é de 25 bilhões de reais, duas vezes o Minha Casa Minha Vida, é uma despesa que o governo não pode continuar fazendo. Nós havíamos proposto reduzir esta despesa pela metade", disse ele. "Quanto mais demora, mais o período de ajuste aumenta. Gostaríamos de ter feito um período de ajuste menor possível para poder acelerar o crescimento".

(Por Caio Saad)

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante audiência em comissão na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta semana. 15/07/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino