17 de Julho de 2015 / às 18:05 / 2 anos atrás

Federações de petroleiros da Petrobras buscam unificar agenda contra desinvestimentos

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As duas federações que reúnem juntas 17 sindicatos de petroleiros que representam funcionários da Petrobras, que costumavam se tratar como rivais por diferentes ideais políticos, iniciaram conversas para unificar uma agenda que promete mostrar força contra medidas adotadas pela atual diretoria diante das dificuldades financeiras.

"Ter os 17 sindicatos unidos é essencial", afirmou o coordenador-geral do Sindipetro Bahia, filiado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), e representante dos funcionários da Petrobras no Conselho de Administração, Deyvid Bacellar.

Segundo ele, o processo de unificação da agenda vem sendo tentado há algum tempo. Mas o primeiro ato em conjunto deve acontecer em 24 de agosto, quando a FUP e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) programam uma greve de um dia, como uma "advertência" contra redução de investimentos, vendas de ativos e contra a corrupção, explicou o diretor da FNP e do Sindipetro-RJ, Eduardo Henrique Soares.

A FUP, tradicionalmente ligada ao PT, já aprovou o indicativo de greve e seus 12 sindicatos filiados estão realizando assembleias para aprovação.

Já a FNP, que representa outros cinco sindicatos, vê como certa a aprovação do indicativo, em um congresso realizado entre esta sexta-feira e domingo, segundo Soares.

"Já está praticamente certo isso, que o congresso vai aprovar também o indicativo de greve", disse Soares.

"No dia 24 todo mundo vai parar (...) A posição da FNP é insistir nesse diálogo com a FUP para eleger o comando nacional unificado da greve."

Soares destacou que a greve é só um início e que uma agenda deve ser elaborada para a continuidade dos protestos.

TRÉGUA

Durante o 9º congresso da FNP, os petroleiros vão traçar diretrizes que serão importantes para a formação de uma parceria com a FUP. As duas federações divergiam com alguma frequência, em grande parte porque a FUP apoia o governo federal enquanto a FNP procura não apresentar uma posição política.

Um exemplo foi a aprovação do acordo salarial de 2014, quando a FNP, com menos sindicatos filiados, acusou a FUP de ter provocado uma ampla aprovação da proposta da Petrobras para não trazer conflitos às vésperas das eleições.

"Eu não vejo nenhum impeditivo, porque os temas que nós temos divergências não são os que estão na ordem do dia, portanto tem um espaço de fato para a construção em conjunto", afirmou o coordenador-geral da FUP, João Antônio de Moraes.

"Esperamos que saiam posições que contribuam no sentido de unidade dos petroleiros em relação aos temários tão importantes para o Brasil, e nós petroleiros, como bons brasileiros que somos, não poderíamos entender de forma diferente", completou.

Nesta sexta-feira, os participantes do 9º Congresso da FNP realizam um ato em frente ao edifício sede da Petrobras, conhecido como Edise, protestando contra venda de ativos, corrupção e em defesa dos direitos dos trabalhadores próprios e terceirizados, que segundo o sindicato estão sofrendo as consequências da crise na estatal

"Na ocasião, petroleiros e militantes vão deixar claro para a direção da empresa, governo e sociedade que não concordam com o corte de investimentos e a venda de ativos, entre outras medidas que constam no Plano de Negócios e Gestão da Petrobrás apresentado recentemente", disse a FNP em uma nota.

A Petrobras anunciou em 29 de junho que planeja investir 130,3 bilhões de dólares de 2015 a 2019, uma queda de cerca de 40 por cento em relação ao plano de negócios anterior, prevendo também a venda de dezenas de bilhões de dólares em ativos e uma considerável desaceleração do aumento de sua produção de petróleo no Brasil.

Uma publicação no Diário Oficial da União, nesta sexta-feira, revelou que a Petrobras vai realizar em 26 de outubro um leilão internacional para vender a plataforma P-34, unidade responsável pela produção do primeiro óleo do pré-sal brasileiro.

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