Economistas reduzem projeções para crescimento e inflação em 2016 e veem Selic a 12%

segunda-feira, 20 de julho de 2015 10:34 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) - Economistas de instituições financeiras pioraram a perspectiva para a atividade econômica do Brasil em 2016, mas voltaram a melhorar o cenário para a inflação e passaram a ver que a taxa básica de juros no final do próximo ano será menor.

Segundo a pesquisa Focus do Banco Central publicada nesta segunda-feira, após duas semanas de estabilidade, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 caiu a 0,33 por cento, ante 0,50 por cento. Para este ano o cenário também piorou, com perspectiva de contração de 1,70 por cento, contra queda de 1,50 por cento antes.

Em maio, a economia brasileira ficou praticamente estagnada na comparação com o mês anterior, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), espécie de sinalizador do PIB, que registrou variação positiva de apenas 0,03 por cento.

A pesquisa Focus mostrou também que os especialistas consultados passaram a ver IPCA menor em 2016, com alta de 5,40 por cento, ante 5,44 por cento, na terceira semana seguida de redução. Também diminuíram a estimativa para a inflação em 2017, em 0,10 ponto percentual, a 4,60 por cento.

Para o final deste ano, entretanto, a estimativa para a alta do IPCA subiu pela 14ª vez seguida, em 0,03 ponto percentual, a 9,15 por cento,

Já em relação à taxa básica de juros não houve alterações nas expectativas no curto prazo. Hoje a 13,75 por cento, espera-se que a Selic seja elevada em 0,50 ponto percentual na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom), com mais uma alta de 0,25 ponto em setembro, encerrando 2015 a 14,50 por cento.

Mas para o próximo ano, os economistas consultados voltaram a ver o início da redução da Selic na reunião de março do Copom, contra abril na pesquisa anterior. E diante do cenário de menor inflação e com a economia mal conseguindo se recuperar, a expectativa para a Selic caiu a 12,00 por cento no final de 2016, contra 12,25 por cento na pesquisa anterior.

 
A man walks out of the headquarters of the central bank in Brasilia January 15, 2014. Brazil will likely raise interest rates for a seventh straight time on Wednesday, but a recent spike in prices is keeping market players guessing whether policymakers will slow or maintain its aggressive pace of monetary tightening. REUTERS/Ueslei Marcelino (BRAZIL - Tags: BUSINESS)