BC diz que ganho na ancoragem de expectativas foi surpresa boa, mas ainda incipiente

segunda-feira, 20 de julho de 2015 19:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central saudou nesta segunda-feira a progressiva ancoragem das expectativas de inflação pelo mercado, mas ressaltou que ela ainda é incipiente, sendo que um alívio para a política monetária só deve ser considerado quando houver a perspectiva da inflação seguir na meta a despeito de um corte nos juros.

Ao participar de evento da CM Capital Markets em São Paulo, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, afirmou que atingir a meta de inflação de 4,5 por cento ao final de 2016 é factível e desejável e que o sucesso dessa abordagem já encontra reflexo na redução de expectativas para o comportamento dos preços.

Respondendo a perguntas de investidores ele destacou, por outro lado, que "ninguém está cantando vitória" e que "o jogo não está ganho".

Nesta segunda, economistas de instituições financeiras consultados no Boletim Focus reduziram pela terceira semana seguida suas expectativas para a inflação do ano que vem, a 5,40 por cento, apesar de terem elevado suas perspectivas para a alta de preços em 2015, apontando convergência para um processo de desinflação buscado com afinco pelo BC.

Diante do movimento, classificado por Volpon como uma "surpresa boa" e indicativo da credibilidade do BC, as taxas dos contratos de juros futuros fecharam em queda, com investidores aumentando suas apostas de que a autoridade diminuirá o ritmo de elevação na Selic após notícias na mídia indicando que o governo estaria satisfeito com a queda das expectativas.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece na próxima semana, sendo que, no Focus, a projeção ainda é de novo aumento de 0,5 ponto percentual na Selic, para 14,25 por cento ao ano. Se confirmada, essa será a sexta elevação consecutiva desta ordem, em meio a esforços do BC para combater a persistente inflação.

Segundo Volpon, o BC não deve começar a pensar em qualquer acomodação da política monetária enquanto a expectativa para a meta não for alcançada e houver "alta confiabilidade" de que a inflação seguirá neste patamar mesmo depois de um corte nos juros.

"Uma coisa é colocar as inflação na meta quando o juro está alto. Outra coisa é ter inflação na meta quando o juro cai. Para a gente maximizar a probabilidade que isso ocorra, a condição necessária é que as expectativas estejam muito bem ancoradas. Como eu disse, já tivemos ganho importante em termos de ancoragem das expectativas, mas ele é muito incipiente", disse Volpon.

"A gente quer que essa queda de juros, quando ela ocorrer, seja uma coisa que ajude a atividade econômica sem prejudicar a inflação", completou.   Continuação...