Parceria da Renova com SunEdison traz competitividade para novos projetos

terça-feira, 21 de julho de 2015 12:39 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A parceria entre a Renova, empresa de energia renovável da Cemig, e a norte-americana SunEdison deve ir além de 2020, garantindo fôlego financeiro no longo prazo para todos os novos investimentos em um momento em que empresas do setor elétrico brasileiro enfrentam dificuldades ou altos custos para captação de recursos.

"O acordo prevê que toda decisão de investimento da Renova deverá vir acompanhada de uma proposta da TerraForm Global (controlada da SunEdison) para adquirir esses ativos, uma vez que acabem de ser construídos", disse à Reuters o diretor vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Renova, Pedro Pileggi.

Segundo ele, o modelo antecipa a geração de valor para a empresa e torna-se um forte diferencial competitivo nos leilões de energia elétrica.

"Ao invés de aplicar no longo prazo, o capital entra, você coloca (as usinas) de pé e esse capital já volta para financiar a companhia", disse o diretor.

A transação envolveu a entrada da SunEdison no bloco de controle da Renova, com a compra da participação da Light, e a venda de ativos operacionais e em desenvolvimento para a TerraForm Global, uma companhia da SunEdison que investe na aquisição de usinas renováveis em países emergentes, com foco no recebimento de dividendos.

Com isso, o executivo destaca que a empresa passa a ter disponibilidade de recursos e previsibilidade quanto ao custo de capital para investimentos justamente em um momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem reduzido a participação em financiamentos e as taxas de juros no país estão elevadas.

"Temos a possibilidade de continuar crescendo e explorando as oportunidades do setor de energia em um momento em que muitas das companhias estão em uma postura --adequada, inclusive-- de compasso de espera", afirmou Pileggi.

Em um primeiro momento, a Renova receberá 587 milhões de reais em dinheiro, além de 1 bilhão de reais em ações da TerraForm Global, que prepara a abertura de capital nos Estados Unidos. O negócio envolve ainda a previsão de que todos projetos do portfólio da Renova sejam trocados por ações da TerraForm conforme entrem em operação, o que renderá 13,4 bilhões de reais entre 2017 e 2020.   Continuação...